07/05/2009

Para especialistas, casas só ficam prontas em 18 meses

Fonte: O Estado de S. Paulo

Presidente da Cbic diz que “”não há como produzir em escala sem a classe empresarial””

O programa de moradia popular “”Minha Casa, Minha Vida”” completou 40 dias do lançamento e de prático o que se viu até agora foi, principalmente, uma onda de histeria nas portas das agências de habitação e nas consultas à Caixa Econômica Federal. A pergunta mais frequente é: “Como eu faço para conseguir uma casa do Lula?”

A resposta não se sabe ao certo. Há quem garanta ser possível começar a entregar as primeiras unidades habitacionais em seis meses. Especialistas em urbanismo calculam ser necessário pelo menos um ano e meio até que as casas e apartamentos fiquem prontos. O balanço mais recente da Caixa informa que 11 Estados e 218 municípios aderiram até agora ao programa. Em 18 dias de plano habitacional, a Caixa contava com 268 projetos apresentados.

Apesar do peso político que tem o programa, ao que parece, a iniciativa privada se apossou do “Minha Casa” e dos próximos passos do governo federal relativos à política habitacional. Paulo Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), é incisivo ao dizer que “não há como produzir em escala sem a classe empresarial”.

Safady afirma que atualmente as construtoras têm por volta de 350 mil unidades habitacionais em condições de serem contratadas, ou seja, com terreno e projetos em andamento que se adaptam ao “Minha Casa”. Até a metade de 2010, segundo ele, se chegaria a 650 mil unidades. Apesar da previsão, o presidente da Cbic tem cautela. “Não se iluda. Há problemas operacionais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, não vai ter agilidade no atendimento a uma demanda dessas de um dia para o outro.”

O presidente da Cbic mostra-se confiante quanto à participação da iniciativa privada em futuros projetos da União: “Junto com o governo vamos produzir o restante das medidas complementares”. Ele se refere ao Plano Nacional de Habitação, elaborado desde 2007 por especialistas da área e Ministério das Cidades e colocado para escanteio quando se começou a falar do “Minha Casa”.

O plano, segundo um de seus colaboradores, responsável pelo Laboratório de Habitação da Universidade de São Paulo, Nabil Bonduki, está paralisado. Ele prevê estratégias para o setor nos próximos 15 anos e inclui uma variedade de alternativas ao déficit habitacional. Além do direcionamento de recursos às construtoras, como no “Minha Casa”, há a possibilidade de aumentar o número de moradias por meio de mutirões e da autoconstrução.

Segundo a urbanista Raquel Rolnik, o principal agora é que o “Minha Casa” não deixe de fora a contrapartida dos municípios de que só doarão terrenos às construtoras nas chamadas zonas com infraestrutura, acesso fácil e oportunidade de emprego. “Sem falar do uso dos recursos de subsídios do programa para a reabilitação e reforma de imóveis subutilizados já produzidos, tanto os públicos quanto os privados. Isto também gera empregos”, explica Raquel.

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