12/09/2008

Para o alto e avante

Fonte: Jornal da Tarde

Capital Paulista ‘sofre’ verticalização desde 1910

A verticalização das grandes cidades, como São Paulo, é um assunto sempre polêmico. Mas, em contrapartida, é ela que permite que milhares de pessoas possam viver nas áreas mais centrais e nobres das cidades, onde o metro quadrado se tornou tão caro que, se não fossem os prédios e sua oferta de metros quadrados sobrepostos em andares, diluindo os custos, essas regiões abrigariam apenas uma pequena e privilegiada parcela da população – aquela com dinheiro suficiente para arcar com os altos preços dos terrenos ou de construções de poucos pavimentos.

A Capital Paulista ‘sofre’ verticalização desde 1910 – apesar de a sua aceleração ter ocorrido apenas na década seguinte -, e, hoje, é comum que a quantidade de prédios seja apontada pela população como a causa de problemas da cidade como o trânsito, a poluição e a falta de serviços, especificamente em bairros saturados como o Morumbi.

Historicamente, é fácil perceber que os prédios podem ter sido considerados a fonte dos problemas da cidade porque, desde 1957, os planos diretores de São Paulo restringem construções e reduzem o coeficiente de aproveitamento dos terrenos, o que, na prática, ajudou a mandar para cada vez mais longe os incorporadores, que precisavam de terrenos mais baratos para poder fazer empreendimentos viáveis do ponto de vista econômico, já que, em áreas centrais, com terrenos caros e prédios relativamente baixos, ficou difícil fechar as contas para as incorporações.

Por isso, o mercado imobiliário foi avançando para áreas onde a infra-estrutura ainda não tinha chegado, sendo que o Morumbi é novamente citado como um exemplo. “Em São Paulo, o poder público sempre chegou depois do mercado imobiliário, sempre para resolver os problemas que poderiam ter sido evitados se houvesse algum planejamento de ocupação”, diz o professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Carlos Leite.

O problema da falta de planejamento urbano em São Paulo foi agravado pela explosão populacional da metrópole. “Em cem anos, de 1900 a 2000, a população de São Paulo aumentou quarenta vezes. No mesmo período, a população de Nova York cresceu apenas duas vezes e meia. Por isso mesmo com muito planejamento é complexo abrigar tanta gente chegando em um período relativamente curto”, lembra o presidente do Secovi (Sindicato da Habitação), João Crestana.

A explosão populacional criou, portanto, uma demanda enorme por moradia. E a moradia foi sendo construída em locais onde não havia infra-estrutura, sendo que o agravante é que a partir da década de 1950 – justamente quando a verticalização passou para as construções residenciais -, a cidade optou por intensificar os investimentos no transporte particular e deixar para segundo plano os investimentos no transporte público.

Hoje, o mercado imobiliário residencial é baseado nos prédios de grande porte, com muitas unidades, permitindo que pessoas de diversas camadas sociais tenham acesso mais democrático à sua própria cidade, uma questão a ser levada nesse importante debate, que o JT Imóvel traz nesta edição, pelo ponto de vista desse segmento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.