21/08/2008

Para se sentir bem

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com a ajuda do design biofílico, projetos incorporam elementos naturais e transformam a arquitetura residencial

Zap o especialista em imóveisPainéis que simulam o céu na casa de Jordan Cahn, em Berverly Hills

SÃO PAULO – Quando Alan Darlington começou a estudar o uso de plantas para melhorar a qualidade do ar, sua pesquisa focava a vida sustentável no espaço externo. Em 2001, ele fundou a Air Quality Solutions, empresa que produz “muros vivos” de plantas como fícus, hibiscos e orquídeas que ele afirma remover 90% de substâncias tóxicas do ar livre. Agora planeja investir no mercado residencial. “A qualidade do ar nas casas é pior do que em edifícios comerciais”.

O design biofílico – do termo “biofilia”, cunhado em 1984 pelo biólogo Edward O. Wilson para descrever a atração humana pela natureza – incorpora elementos naturais, reais ou simulados, para promover o bem-estar. É primo do design verde e está mais relacionado com “expressar as emoções e a interação com o mundo natural” do que com a proteção dos recursos naturais, segundo Grant Hildebrand, professor de arquitetura de Seattle.

Mas, assim como o interesse pelo design verde tem aumentado, o design biofílico também tornou-se importante. “Saber como responder à luz, ao tempo, às plantas e aos animais sempre foi crítico para a sobrevivência da nossa espécie”, diz Stephen Kellert, professor de Ecologia Social em Yale. “Nosso bem-estar depende do acesso à natureza”, continua Kellert.

Até detalhes podem provocar efeitos. “Pacientes em quartos hospitalares com insolação matinal precisam 23% menos medicamentos contra a dor do que aqueles em quartos sombreados”, diz Roger Ulrich, professor de Arquitetura da Texas A&M University. No caso de Jordan Cahn, corretor, ele reformou sua casa para instalar, na suíte, o Sky Ceiling – painel de 8,64 m², junto com cinco vitrais virtuais, por US$ 50 mil. A luz do novo teto pode ser programada para criar mudanças da manhã à noite.

Há quem prefira um contato direto com a natureza. Eric Garfinkel, psicólogo, e a mulher passaram dois anos montando, em sua town house em Manhattan, uma cozinha aberta para o living, que cedeu parte do espaço para o jardim.

O objetivo biofílico nem sempre se resume a abrir a casa aos elementos externos. Elisa Rapaport e seu marido queriam a varanda anexa à cozinha, tanto para permitir refeições livres de insetos, como pelo fato de a cozinha oferecer a melhor vista do pátio. Eles então chamaram a Inscape Studio, mas os arquitetos Rick Schneider e Petros Zouzoulas viram que a estrutura poderia bloquear a luz natural e levaram a cozinha para fora.”Fizemos um deck entre cozinha e varanda e avançamos com ele pelo pátio”, diz Schneider. O resultado agradou, mas teve seu preço: “Por conta dos mosquitos, dizemos o tempo todo fechem a porta!”, diz Elisa.

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