30/10/2006

Parque do Piqueri se verticaliza

Fonte: O Estado de S. Paulo

Chegada de residenciais ao chamado “Tatuapé baixo” muda perfil de região antes ocupada por indústrias

Pelo menos dez novas torres de prédios residenciais despontam na região do Parque Piqueri, no Tatuapé. Por enquanto, aparecem apenas as estruturas dos edifícios, mas elas já chamam a atenção pelo porte e podem ser vistas de longe por quem passa pela Marginal do Tietê, Avenidas Salim Farah Maluf e Celso Garcia. O endereço desta mina de valorização descoberta há poucos anos pelo mercado é o quarteirão entre as Ruas Tuiuti e Pitangui.
A proximidade do parque é o grande chamariz da região.

“Embora o Parque do Piqueri seja pequeno em relação ao Ibirapuera ou o Villa-Lobos, dá vida ao entorno, os moradores freqüentam para fazer caminhadas”, afirma o diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia. Somado a isso, está a facilidade de acesso ao centro e outros locais pela Marginal, metrô e grandes avenidas.

O quarteirão fica numa parte do bairro chamada pelo mercado de Tatuapé Baixo, onde o crescimento ainda estava tímido se comparado ao boom imobiliário registrado há alguns anos do outro lado da linha do trem, onde estão o Jardim Anália Franco e os shoppings. “São terrenos grandes subocupados por antigas indústrias ou armazéns”, afirma Pompéia.

E justamente por isso chamou a atenção dos empreendedores, que puderam arrematar grandes áreas por um bom preço. “Os terrenos na parte alta estão muito caros e você encontra na parte mais baixa áreas grandes pela metade do preço, onde você pode criar um produto com várias torres, mais voltado para a classe média”, diz.

De fato, as construções encontradas ali procuram atender a esse perfil. Há opções de 2 a 4 dormitórios, com preços que vão de R$ 200 mil a R$ 420 mil e área de 80 a 160 metros quadrados. Com a chegada desses novos empreendimentos, o Tatuapé baixo já começa a mudar de cara. “Essas áreas estão mudando de vocação. A cidade de um modo geral está mudando de vocação”, conclui Pompéia.

Vista Perpétua

A oferta de grandes áreas perto do parque permite a construção de empreendimentos com vistas raras em São Paulo. “É um verde eterno”, ressalta Ivan Bussabi, diretor técnico da construtora Honduras, que assina o Residencial Jardins de España, um dos empreendimentos mais recentes do local, em que todos os apartamentos têm vista para o parque.

Com esse atrativo, a venda é certa. “Lançamos no fim do mês de abril e já foram vendidos 30% das unidades.” Todas têm quatro dormitórios.

Nascida na zona leste, a Barroco foi uma das primeiras construtoras a enxergar o potencial da região. A empresa está levantando o edifício Green Park, com apartamentos de três dormitórios. “Em qualquer lugar do mundo, todos querem usufruir de um lugar de lazer”, afirma Cristiano Viana, diretor comercial.
O potencial de valorização da área foi outro fator decisivo para o investimento. “Aquela parte baixa do Tatuapé é pouco explorada e o preço não tinha alcançado ainda o seu patamar máximo.” O ganho será repassado a quem comprou no lançamento. “Será um lucro sobre o patrimônio que hoje é muito difícil de acontecer em São Paulo.” Segundo o executivo, o preço do Green Park (R$ 2,1 mil o metro quadrado) é praticado a até 40% menos do que no Alto Tatuapé.

Também para André Timóteo, coordenador de marketing da Ez Tec, a principal qualidade do terreno é a proximidade do parque. A construtora tem dois empreendimentos no local, o Dream View, com apartamentos de quatro dormitórios, e o Quality House, com unidades de dois e três quartos, e vista para o verde. “Será uma vista perpétua.”

Mas a grande aposta é na mudança de padrão do bairro. “Se você olhar Moema há dez anos não era nada, hoje os terrenos são uma fortuna. Assim que os prédios forem entregues, aquela região toda vai mudar. O comércio hoje ainda é mais popular, vai se adequar ao público dos empreendimentos”, aposta.

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