30/10/2006

Parques, praças, barzinhos e ateliês

Fonte: O Estado de S. Paulo

Cada morador lembra de algum motivo que garante qualidade de vida a Pinheiros

Parque Villa-Lobos, Museu da Casa Brasileira, Instituto Tomie Ohtake, Praça do Pôr-do-Sol, os bares e ateliês da Vila Madalena, o vigor econômico das Avenidas Faria Lima, Engenheiro Luís Carlos Berrini e Rebouças, restaurantes, áreas verdes, pouco trânsito, poucas favelas, muitas escolas e hospitais. Cada morador lembra de algum detalhe da área administrada pela Subprefeitura de Pinheiros para confirmar que a região faz jus ao melhor Índice Econômico de Qualidade de Vida (IEQV) da cidade.

O empresário Marcelo Leite Prota, de 42 anos, cresceu, se criou e casou em Pinheiros. Hoje, mora, trabalha e cria o filho no mesmo bairro. “Não troco isso aqui por nada”, afirmou. A dona de casa Ana Maria Pinto e Silva, de 62 anos, mudou-se para Pinheiros há cinco anos. “Queria muito vir para cá. É calmo, tem tudo e uma boa localização”, disse. “Aqui tem bastante árvore, dá para ouvir os passarinhos cantando”, contou.

Apesar dos elogios, a população sofre com os assaltos na região dos Jardins. “As pessoas se protegiam com segurança privada e achavam que isso resolveria, mas não resolveu. Agora, está havendo uma relação mais forte das associações de moradores com as autoridades para construir uma estrutura de segurança pública mais eficaz”, afirmou o subprefeito de Pinheiros, Antônio Marsiglia Neto.

Além da segurança, segundo Neto, a criação de corredores em áreas estritamente residenciais também preocupa a subprefeitura. “Com os corredores, as imobiliárias começaram a oferecer os imóveis para o comércio e os proprietários aceitam, para receber um aluguel maior”, afirmou. “A Alameda Gabriel Monteiro da Silva, por exemplo, já se consolidou como comercial. Agora, há tentativas de se fazer o mesmo com a Rua Sampaio Vidal. Vamos tentar impedir.” A subprefeitura estima que as áreas estritamente residenciais correspondam de 15% a 20% do total.

Dona do vice-campeonato, a Subprefeitura da Vila Mariana apresentou os melhores índices isolados de saúde, infra-estrutura e qualidade ambiental. “Já fomos os primeiros em outras pesquisas”, disse a advogada Lygia Horta, presidente da Associação de Moradores de Moema, um dos bairros administrados pela vice-campeã. “É um bairro calmo e tem tudo num raio de 100 a 200 metros.”

Segundo a urbanista Marta Grostein, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, os resultados da pesquisa são bastante óbvios. “Não poderia ser diferente. As regiões mais ricas são melhor servidas dos equipamentos públicos, têm estrutura, e as mais pobres estão nas piores condições.” 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.