03/11/2009

Pequenas construtoras têm espaço para crescer

Fonte: Jornal da Tarde

Habitações populares do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ do governo federal, e desprezadas pelas grandes incorporadoras, são um campo fértil para as empresas de menor porte, principalmente nas cidades do interior

Construtoras aproveitam a expansão do mercado (Foto: Divulgação)
Construtoras aproveitam os negócios do mercado (Foto: Divulgação)

As pequenas e médias construtoras devem responder pela maior parte das habitações previstas pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ do governo federal. A estimativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) é que essas empresas sejam responsáveis por 550 mil dos 750 mil apartamentos e casas contratados pela Caixa Econômica Federal até julho do ano que vem.

O banco público reconheceu a importância desses parceiros na quinta-feira, quando pré-aprovou a análise de risco, também chamada de rating, para 4,3 mil micro e pequenas e construtoras em todo o País.

Essas são as empresas que a Caixa já considera aptas a apresentar projetos para o programa habitacional (veja mais nesta página). “Fizemos a seleção entre as 12 mil construtoras que trabalham ou já trabalharam com a gente”, diz Válter Nunes, superintendente regional da Caixa em São Paulo.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe, diz que a Caixa busca atrair essas empresas para tornar viáveis projetos menores. “As grandes construtoras não se interessam pelos empreendimentos de pequena escala”, afirma. Além disso, as pequenas empresas também trabalham com as faixas de renda mais baixa, também deixadas de lado pelas grandes incorporadoras.

A Construtora Faleiros, por exemplo, atua com dois projetos para as faixas mais baixas de renda em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. São condomínios com 140 apartamentos de dois dormitórios. Para esses empreendimentos, a Caixa paga um valor fixo de R$ 52 mil por habitação. “Temos uma estrutura familiar, bem enxuta e temos mais facilidade nesses projetos. Para uma empresa grande é preciso muito volume, porque o preço de R$ 52 mil achata as margens”, afirma João Alberto Faleiros, diretor técnico da empresa.

Para Faleiros, outro diferencial importante das pequenas empresas é a agilidade na hora de aprovar os licenciamentos. “As grandes construtoras atuam com projetos maiores que requerem a aprovação conjunta dos órgãos públicos, que demora mais que as autorizações individuais dos projetos menores”, diz Faleiros.

Atualmente a Construtora Faleiros tem cinco projetos em fase adiantada de análise pela Caixa. Outros seis estão em estudos para serem submetidos ao banco. A expectativa da empresa é construir pouco menos de três mil unidades neste ano. “Esse número deve subir para 4 mil no ano que vem, quando o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ vai ter mais efeito”, afirma Faleiros.

A Etemp Engenharia também trabalha com a baixa renda. Possui um projeto em São José do Rio Preto (SP) que se enquadra no ‘Minha Casa, Minha Vida’, para a faixa de zero a três salários mínimos. “A maior parte do mercado está trabalhando na faixa de três a dez salários mínimos e está muito aquecido e concorrido”, diz José Carlos Molina, diretor da empresa.

Molina diz que o teto para a habitação voltada para a mais baixa renda torna praticamente impossível a construção de um empreendimento desses na capital paulista, onde os terrenos são caros. “Nesse caso, é preciso ir para algumas das cidades da Grande São Paulo”, diz.

Atualmente, 65% dos empreendimentos da Etemp são voltados à baixa renda. A empresa já trabalha com os projetos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de São Paulo e também com obras do PAC Habitacional. “Com o ‘Minha Casa, Minha Vida’ esperamos que a participação do segmento popular cresça para 80% do nosso faturamento”, diz.

As pequenas incorporadoras também pretendem lucrar com o programa. Criada há três anos, a Sabiá espera crescer 200% neste ano. A incorporadora já surgiu voltada para o segmento econômico e recebeu um novo fôlego a partir da criação do pacote habitacional. “O programa foi um divisor de águas e quadruplicou a velocidade de vendas dos empreendimentos”, diz Luiz Vairo, sócio da Sabiá. Segundo ele, após lançamento do programa, em março, o crédito para os empreendimentos habitacionais voltou ao mercado.

350
MIL HABITAÇÕES
devem ser contratadas pela Caixa entre as pequenas construtoras até julho do ano que vem, segundo a CBIC

200
MIL RESIDÊNCIAS
devem ser contratadas entre as construtoras médias até meados de 2010, de um total de 750 mil projetado pela CBIC

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