10/02/2008

Pequenos edifícios, grandes negócios

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mercado imobiliário está tão aquecido que maquetistas recusam trabalho

Eduardo Nicolau/AEZap o especialista em imóveisSem parar – A Andrade Maquetes contratou 40 pessoas e ainda não dá conta de todo o trabalho

Os sócios Edílson de Andrade e Itaner Soares multiplicaram por dois a área de sua oficina – agora com 800 metros quadrados (m²)- e ampliaram para 40 o número de funcionários. Mesmo assim, a Andrade Maquetes já começou a recusar trabalho. “Só conseguimos atender a 70% dos pedidos”, diz Andrade. Somente no primeiro semestre de 2008, a oficina deverá produzir 70 maquetes, quase o número total do ano passado, quando foram entregues 100 projetos.

Se para cada lançamento de imóvel residencial, uma maquete é colocada no estande de vendas, fica fácil supor que o volume de trabalho para quem fabrica os prédios, carros, casas e árvores em miniatura tem crescido. Somente na cidade de São Paulo, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), em 2007 foram lançados 406 empreendimentos residenciais, o que corresponde a 38.536 unidades.

Quanto à comercialização, números do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi) revelam que, entre janeiro e novembro do ano passado, as vendas foram 23,5% maiores na comparação com o mesmo período de 2006.

Com tantas moradias sendo construídas, os maquetistas têm se desdobrado para tentar dar conta do trabalho. No escritório de Adhemir Fogassa, um dos maiores do País, a situação não é diferente. Mesmo com uma oficina de 3.300 m² de área, máquinas novas e uma equipe de 150 pessoas, o maquetista não consegue mais aceitar os cinco pedidos que recebe por dia. Isso porque já se comprometeu com mais de 200 projetos para 2008, parte encomendada ainda no fim do ano passado e com entrega para os próximos meses. A expectativa é de aumentar em 30% a produção de 2007, quando foram fabricadas 300 maquetes.

Embora as encomendas continuem a chegar, ele não pensa em ampliar a empresa . A justificativa é que, para o maquetista, não compensa produzir em massa. Afinal, trata-se de um trabalho manual, caracterizado pelo capricho e cuidado com os detalhes, diz ele.

Mão-de-obra escassa

Além da demanda crescente, faltam escritórios especializados na confecção de maquetes. A escassez de mão-de-obra obriga as empresas contratantes do serviço a antecipar o planejamento. A dificuldade, nesse caso, está em conciliar a estratégia para lançar um empreendimento e o prazo pedido pelos maquetistas.

“Normalmente, o prazo é de 30 dias, mas estamos pedindo no mínimo 60”, revela Silvio Luiz Borges, sócio-proprietário da Kenji Maquetes. “Temos de contratar com muita antecedência, pois eles (os maquetistas) estão sobrecarregados”, afirma Cristina Lacerda, diretora de Planejamento da Yuny Incorporadora. Para dois lançamentos que fará em abril, a executiva encomendou as maquetes em dezembro.

Para Cyro Naufel, diretor de atendimento da consultoria de imóveis Lopes, há situações em que fechar negócio muito antes pode ser complicado. “Fica difícil contratar a maquete sem concluir o projeto”, afirma. Por isso, segundo ele, muitos esperam até a última hora para ter certeza de que os desenhos do arquiteto não mudarão.

A ausência da maquete pode comprometer a estratégia de marketing. Na opinião de Naufel, a maquete é indispensável porque se constitui na forma mais próxima do real de apresentar ao consumidor onde ele vai morar. É nela que o cliente pode ver onde ficará o portão, a piscina e as áreas de lazer.

Com dificuldade para achar maquetistas, muitas incorporadoras recorrem aos recursos virtuais, mais fáceis de serem encontrados no mercado. “O resultado não é tão realista quanto a maquete física, mas é uma alternativa”, afirma Cristina.

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