09/09/2007

Pioneira na luz a gás e no futebol

Fonte: Jornal da Tarde

Naquela região nasceu a iluminação pública a gás e o futebol, onde Charles Miller organizou o 1º jogo

Arquivo/AEZap o especialista em imóveisPrédio do Gasômetro no início do século 20; na praça em frente, hoje, passa a Avenida Mercúrio e fica o Palácio das Indústrias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O cheiro de peixe era comum em todas as principais ruas, não apenas naquelas onde os ambulantes vendiam o produto das pescarias nos rios Tamanduateí, Pinheiro e Tietê. É óbvio que, ao falarmos de peixes desses rios, estamos falando de uma São Paulo de muito tempo atrás. Mais precisamente nas primeiras décadas do século 19. E o cheiro de peixe em questão vinha dos lampiões de rua, alimentados por óleo de peixe, o que dava um cheirinho de Sexta-Feira santa a qualquer dia da semana.

Foi somente no fim do século, em 1872, que a iluminação de rua passou a ser alimentada a gás, distribuído a partir do prédio intitulado Gasômetro, próximo do Tamanduateí, na então chamada na Várzea do Carmo. O concessionário desse serviço era o senhor Francisco Taques Alvim, rico comerciante da Capital Paulista.

A chegada da ‘modernidade’ foi o assunto do momento, espalhado aos quatro cantos pelos jornais da época e nas conversas das rodas de amigos. O impacto do fato foi tanto que até o imperador Dom Pedro II e membros de sua família e da Corte se locomoveram do Rio de Janeiro para a inauguração, na noite de 31 de março.

Ao total, eram 55 lampiões a gás espalhados por todo o Centro Velho. O enorme prédio de tijolos aparentes dominou a paisagem e se impôs como nome, não só da rua, mas como de toda a região que hoje é dominada pelo comércio associado a madeira, acessórios e ferragens.

Futebol de várzea

Pouco mais de 22 anos após as luzes da cidade acenderem-se pelo gás, um jovem recém-chegado da Inglaterra tentava ensinar para desconfiados funcionários da multinacional inglesa São Paulo Railway Company, que construíra anos antes a estrada de ferro até Santos, as regras de um jogo chamado ‘foot-ball’, que consistia em levar uma bola rolando a chutes de um lado para outro de um campo até fazê-la passar entre duas traves, o que serias considerado um ‘goal’. Quem fizesse, mais dessas coisas de som estranho ganharia a contenda.E nem podia se usar as mãos.

Mas, como a prática sempre é melhor mestre que a teoria, pés no chão, bolas rolando e todos no terreno descampado de esquina da Rua do Gasômetro com a Três Rios. Os funcionários da ferrovia enfrentariam os da também inglesa Gas Company of São Paulo, um verdadeiro ‘clássico do futebol bretão’.

O jovem era Charles Miller, o ano era 1894. A primeira partida de futebol do País aconteceu no coração do Gasômetro.

Diz a lenda que, como aquela região era rotineiramente alagada pelas cheias do Tamanduateí, que alimentavam a Várzea do Carmo, vem daí a expressão ‘futebol de várzea’. Se é fato, não há certeza – aliás, alguns estudiosos cariocas e memorialistas da região do ABC (na Vila de Paranapiacaba, de origem inglesa, no alto da Serra, em Santo André) reivindicam o título de berço do futebol brasileiro . Mas como foi dito no cinema, “se a lenda é mais interessante que os fatos, imprima-se a lenda”. No fim, o futebol virou mania nacional, e o Gasômetro referência em comércio especializado na cidade de São Paulo.

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