06/01/2007

Placas absorvem radiação

Fonte: Jornal da Tarde

Painéis coletores são instalados no telhado; quantidade varia conforme consumo de água quente

Um aquecedor solar é composto de um reservatório térmico (boiler) mais um coletor solar (placa). Há também tubos alimentadores, registros e válvulas, e é preciso ter uma caixa d‘água para alimentar o reservatório com água fria.

As placas coletoras são as responsáveis pela absorção da radiação solar e pelo aquecimento da água. Devem ser instaladas sobre o telhado, numa angulação que permita receber o máximo possível de radiação. O posicionamento das placas é determinado na instalação e a quantidade de coletores vai depender do consumo de água quente.

Dentro da placa coletora há uma serpentina de cobre por onde a água circula. Ao passar pelo coletor a água é aquecida e sobe para o reservatório térmico, que é o recipiente que armazena a água aquecida e serve a casa.

Nos equipamentos mais simples, a água circula pelo sistema de termossifão. A água dos coletores fica mais quente e menos densa do que a água no reservatório. E a água fria ‘empurra’ a água quente, provocando a circulação no sistema.

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“Isso só é possível nos sistemas em que a placa fica mais baixa do que o boiler. Em casos diferentes é preciso utilizar bombas para desempenhar essa função”, diz o responsável pela engenharia de aplicações da Soletrol, Sérgio Vasconcelos. Para dimensionar o sistema é preciso levar em conta o número de pontos que utilizam água quente e de usuários, a freqüência de uso e o nível de conforto desejado – vazão dos chuveiros.

Numa casa de quatro moradores que tomam um banho de cerca de dez minutos ao dia, e que não tem aquecimento nas torneiras, é preciso ter aquecedor com capacidade de 400 litros de água. O preço de um aquecedor solar para uma família nas condições acima varia entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil. Em menos de dois anos de uso, com a redução no consumo, dá para amortizar esse valor.

“O aquecedor solar se paga sozinho. É um aparelho que tem garantia de cinco anos e dura 20 anos. O usuário deixa de ter gasto excessivo com energia elétrica nesse tempo”, afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Refrigeração, Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado (Abrava), Carlos Faria.

Para ter o equipamento em casa, o ideal é prever a sua instalação antes da construção. “Caso não seja possível, dá para fazer a adaptação com sistemas compactos ou utilizar uma solução arquitetônica para esconder o reservatório e a caixa d’água”, diz Vasconcelos.

O ideal seria que as novas construções fossem obrigadas a ter esse dispositivo. “Nosso desafio é mostrar aos construtores que o consumidor está disposto a pagar pelo aquecedor para economizar pelo resto da vida”, diz Faria, da Abrava, que também é coordenador do Cidades Solares – entidade que reúne ONGs e poder público para disseminar a cultura da energia solar e obter incentivos para quem usa.

Quarenta cidades demonstraram interesse pelo projeto Cidades Solares. “O Brasil tem potencial enorme”, revela Faria.

Se comparado com a Alemanha, por exemplo – que recebe bem menos radiação do que o Brasil e até neva durante o inverno -, o número de domicílios com aquecimento solar chega a 25%, contra 1,1% aqui.

Mas essa realidade deverá mudar em breve. Segundo Faria, no próximo ano, os edifícios novos serão fiscalizados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro). Assim como os eletrodomésticos, a construção civil receberá um selo do instituto. Quanto mais itens de qualidade ambiental a construção possuir, mais alta será a sua colocação. Entre essas qualidades ambientais está a utilização de aquecedores solares. “Para obter a certificação ‘A’ do Inmetro é imprescindível ter aquecimento solar.”

 

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