30/10/2006

Pompéia ganha ares e bares da Vila Madalena

Fonte: O Estado de S. Paulo

Descontração é a mesma do bairro vizinho, mas baladas são para maiores de 25

O velho hábito de bater papo com os vizinhos à noite, na porta de casa, resiste ao tempo na Pompéia. Só que, nos últimos meses, os moradores trocaram as cadeiras que eles mesmo levavam para fora pelas mesas dos vários bares instalados recentemente no bairro. “É a nova Vila Madalena”, diz Maurício Budaya, de 40 anos, um dos sócios do Bar do Tchello, o caçula, com apenas duas semanas de vida.

A chegada de lojinhas modernas, ateliês e marcenarias só comprova esse movimento: a tradicional Pompéia ficou descolada. As mudanças atingiram ainda o mercado imobiliário da região.
Nos últimos três anos, 30 prédios foram lançados na Pompéia, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O bairro aparece entre os dez que mais crescem na cidade em quesitos como número de lançamentos e quantidade de unidades (apartamentos). Em algumas ruas, há até quatro prédios sendo construídos.

Quando estiverem prontos, o bairro terá ainda mais necessidade de serviços e lazer. “A Pompéia é grande e aconchegante”, diz Budaya. “Como ainda não foi bombardeada pelos bares, como a Vila Madalena, tem mercado para todo mundo.”

Em comum com os bares do bairro vizinho, os da Pompéia têm o ambiente descontraído, com mesinhas na calçada, e petiscos para todos os gostos. Mas há também diferenças. A principal é a faixa etária. Na Pompéia, a balada é para maiores de 25. “Aqui a maioria é da nossa idade”, diz o advogado Max Mantesso, de 26 anos, um dos donos do Villasol, inaugurado em outubro.
Mantesso mora na Lapa e acompanhou a chegada dos barzinhos na Pompéia.

“Antes, aqui só tinha boteco.” O advogado nem chegou a pensar em montar seu estabelecimento na Vila Madalena. “Lá, eu seria apenas mais um.” O jovem, que sempre gostou de sair à noite, explica o conceito do Villasol.

“O preço e a descontração são como na Vila Madalena, mas nosso padrão de atendimento é da Vila Olímpia.” O advogado se diverte ao lembrar de como a vizinhança recebe os bares. “Já vieram pedir azeitona para a macarronada. Aqui é a casa deles.”

Opção – Dono de um dos primeiros bares do bairro, José Luiz Figueiredo, de 45 anos, montou o Pompéia em 1999, para pessoas que, como ele, não tinham para onde ir à noite. “Existia sempre a opção da Vila Madalena, mas lá tem trânsito, aquela confusão.”

Figueiredo não queria um estabelecimento que entrasse na lista de bares da moda, logo esquecidos. Tampouco pensava em acabar com a tranqüilidade do bairro. “É ruim estar num lugar onde há 30 bares em um só quarteirão. Fica um tumulto e os vizinhos sofrem.” Ele tem motivos pessoais para preservar a Pompéia: sua família sempre morou lá e o bar fica onde seu avô tinha um mercado.

Essa preocupação, para o urbanista João Valente Filho, é importante. “Para não haver prejuízos ao bairro, os estabelecimentos devem suprir a demanda local e não transformá-lo em um point para a cidade toda”, explica Valente.
“As pessoas exaurem a região e depois procuram outro lugar, porque aquele ficou deteriorado.”

Quando os bares estavam pipocando na Vila Madalena, nos anos 80, já era comum a galera dar uma esticada até a Avenida Pompéia para curtir o Pé Pra Fora. “No início, vinham só os amigos e o ambiente era legal. Depois, começou a vir gente da cidade toda”, conta Sérgio Bastos. “O clima ficou de um jeito que a gente não queria e resolvemos vender o bar em 1996.” A idéia era montar outro. Bastos e seu irmão chegaram a ver imóveis na Vila Madalena, mas desistiram.

“Os preços estavam na lua e os vizinhos queriam matar os donos dos bares.
Decidimos ir mais longe, para a Lapa. Achávamos que nossos amigos iam nos acompanhar.” E foi isso que ocorreu. Hoje, o Dona Felicidade recebe o antigo pessoal do Pé pra Fora, mas sem a confusão e os problemas para estacionar. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.