30/10/2006

Pompéia vai ganhar shopping em 2007

Fonte: O Estado de S. Paulo

Antigo centro de compras dá lugar a um gigante de 8 andares, 200 lojas, teatro e 10 salas de cinema

Um passa e pergunta o que está por trás dos tapumes. O outro quer saber se aquela obra é do Palmeiras. Com um sorriso de quem sabe a resposta, o ambulante Antônio Batista dos Santos, de 44 anos, mata a curiosidade de moradores e de quem anda na Rua Turiaçu, quase na esquina com a Avenida Pompéia, na Pompéia, zona oeste.

“Vai ser um outro shopping”, explica o camelô. Da sua barraca de doces, Santos acompanhou a demolição das paredes do antigo Shopping Bourbon, antes Matarazzo, e agora vê a nova construção subindo em ritmo acelerado.

Até o segundo semestre de 2007, haverá no local um gigante de oito andares, com direito a teatro moderno para 1.500 pessoas, dez salas de cinema Multiplex e uma Imax, com tela gigante, som surround digital e capacidade para exibir filmes em três dimensões. Sem falar nas mais de 200 lojas e no hipermercado com a bandeira Zaffari, grupo gaúcho responsável por todo o empreendimento.

Serão 175 mil metros quadrados de área construída, num prédio que terá outras seis lojas-âncora e um centro de eventos. Cinco andares do Bourbon Shopping Pompéia terão apenas estacionamento, com mais de 3 mil vagas. Esse é o número exigido pela Prefeitura para reduzir o impacto que o centro de compras pode provocar no tráfego da região, principalmente na Pompéia, na Turiaçu e na Avenida Francisco Matarazzo. Também foram requeridas a instalação de nove controladores de semáforo – para facilitar o trânsito – e a readequação da Praça Marrey Júnior, além da revitalização de ruas do bairro.

Piscininha

As determinações para a parte viária completam as contrapartidas definidas anteriormente para que o empreendimento pudesse fazer parte da Operação Urbana Água Branca. Além de pagar R$ 6 milhões pelo direito de construir além do potencial definido para o terreno pela Lei de Zoneamento, os responsáveis pelo shopping ficaram encarregados de fazer uma piscininha no subsolo, com capacidade para armazenar 428 metros cúbicos, alargar calçadas e cuidar do paisagismo da região.

“O shopping vai dinamizar a Pompéia, um bairro que estava abandonado, sem nenhum tipo de atração”, diz Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação de Amigos da Vila Pompéia.

“Não acredito que o trânsito possa piorar muito e teremos os benefícios com o fim dos alagamentos provocados pelo Córrego da Água Preta e com o recapeamento das ruas. Por que não podemos ter um shopping? A Lapa mesmo tem um.”

Moradora da Pompéia há 20 anos, a pedagoga Roberta Corrêa Vernalha, de 43, espera ansiosa pela inauguração.
“Acho que vai ser muito bom mais um shopping na região, ainda mais que o outro que já existe tem perfil mais popular”, diz Roberta. “Quem conhece o bairro pode cortar caminho e não vai pegar mais trânsito por causa do shopping.”

O outro centro comercial a que ela se refere é o West Plaza, a poucas quadras de onde o Bourbon está sendo construído. E também nele os moradores podem esperar novidades. Esta semana foi anunciada a reforma do West Plaza, que vai incluir até a mudança no mix de lojas.

Teatro

Os responsáveis pela Zaffari prometem construir um dos teatros mais modernos e estruturados teatros da capital, preparado para receber óperas, musicais e grandes apresentações internacionais. Serão 1.500 lugares, entre platéia, camarotes e mezanino, além de um espaço de convivência. Para que o som do teatro não atrapalhe quem passeia pelo shopping, toda a área de espetáculo será montada com isolantes especiais.

O empreendimento também privilegia os cinemas. Estão previstas dez salas Multiplex, com projetores italianos, som Dolby Digital e poltronas especiais. Mas o destaque deve ficar mesmo com a sala Imax, com telas de altura equivalente a até oito andares, preparadas para exibir filmes em 2D e 3D.

Na torcida para que o shopping fique pronto logo estão os 22 taxistas que fazem ponto na Rua Turiaçu, ao lado do empreendimento. Agora, com as obras, o movimento de passageiros caiu muito e eles precisam se revezar, trabalhando dia sim, dia não.

“Estamos roendo os ossos, mas esperamos comer filé mais tarde”, diz Valtair Marques, de 52 anos, há 12 no ponto. “Só não sei como vai ficar o trânsito aqui.”

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