25/03/2011

Porto Alegre faz aniversário e moradores homenageiam capital gaúcha

Porto Alegre faz aniversário e moradores homenageiam capital gaúcha

Fonte: Revista do ZAP

Da Zona Norte à Sul, habitantes contam como são seus bairros e o que há de bom na terra do Gre-Nal

Mesmo que sua avó tenha mais de um século, ainda é pouco perto dos 239 anos que Porto Alegre comemora neste sábado, dia 26 de março. Mas os moradores da capital gaúcha provam que não é preciso tanto tempo para se apaixonar pelo lugar onde vivem. Da Zona Norte à Zona Sul, o Pense Imóveis conversou com pessoas que estão há cerca de duas décadas no mesmo bairro, e perguntou a elas o que há de bom e de ruim. As respostam variam, mas uma opinião é unânime: eles não trocam o lugar por nenhum outro.

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Um norte
Chegando em Porto Alegre, por um dos caminhos possíveis, encontramos o bairro Jardim Lindóia, na Zona Norte. É onde Lenita Porsch mora há 43 anos. A aposentada foi para a região ainda jovem, quando os pais compraram um terreno e construíram a casa de três quartos onde ela reside até hoje. “Naquela época, não tinha nada aqui, só o clube, poucas casas, o resto era tudo campo”, lembra.

Hoje em dia a situação não é mais a mesma, há muito movimento de carros, e a concentração de pessoas também aumentou, “povoou até demais”, brinca Lenita. Uma das mudanças que chama a atenção da aposentada é o número de edifícios, que cresceu muito. “Quando vim para cá, não era permitido construir prédios”, conta. O comércio também se desenvolveu na área, onde há quatro supermercados, várias opções de restaurantes e está prevista a abertura de mais um shopping. “Não há casas noturnas, mas tem opções de bares”, comenta.

Lenita garante que, apesar do aumento do comércio, do número de habitantes e do tráfego de carros, o bairro ainda é tranquilo, e que em termos de segurança não é melhor nem pior do que outras regiões da capital gaúcha. Além disso, o crescimento da área tem um aspecto positivo, que é a maior oferta de transporte público. “Antes, tinha ônibus só de 40 em 40 minutos, ou a cada hora, e era uma linha só”, recorda.

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Terminal Triângulo recebe as linhas que servem o bairro

Em termos de lazer, o Jardim Lindóia oferece muitas praças, com parquinhos para as crianças, e um ambiente familiar, diz a moradora. A proximidade das pessoas é um dos aspectos de que Lenita mais gosta. “A família da gente mora longe, e a gente acaba tendo um segundo lar com os vizinhos, com quem se convive muito mais”, comenta.

Do lado do Parcão
Quem também destaca o ambiente familiar do bairro é Caroline Baldasso. Ela foi para o Moinhos de Vento aos seis anos, quando os pais se mudaram da serra gaúcha para a Capital para abrir um negócio. Isso foi há quinze anos, e mesmo com o crescimento do lugar, a analista de produtos diz que não o troca por nenhum outro. “Vivi a vida toda no bairro, estudei até o final do ensino médio nele, fiz amigos na região”, enumera.

Para ela, o bairro é democrático e oferece opções para todas as idades. “Já saí na [rua] Padre Chagas com meus amigos para um bar enquanto meus pais estavam jantando em um restaurante na mesma rua”, conta. As alternativas são muitas, o que permite a vida noturna das pessoas sem precisar sair do bairro.

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Rua Padre Chagas tem lazer para todas as idades, segundo Caroline

Caroline lembra que a chegada do shopping ampliou o movimento na região, deixando-a muito mais comercial e valorizando os imóveis. “Muita gente saiu e comprou apartamentos maiores em outros bairros, mas ainda há muita resistência dos moradores mais antigos de se mudar, as pessoas têm um sentimento muito forte pelo bairro”, comenta.

Para a analista de produtos, a união dos habitantes, que se congregam em associações do bairro, tem um lado ruim. “Parece que existe um certo descuido da parte da administração municipal com o Moinhos de Vento, como se eles deixassem a cargo de quem vive no bairro cuidar dele”, observa. Um dos exemplos, segundo ela, é má iluminação pública do Parcão, da Praça Maurício e do Parque do DMAE, que faz com que os locais não sejam utilizados durante a noite, por medo da falta de segurança. O sentimento, no entanto, é em relação a esses espaços e só depois de escurecer, já que de maneira geral, segundo a moradora, o bairro é tranquilo e não se tem registros de ocorrência nem a mais nem a menos do que em outros locais de Porto Alegre.

O transporte coletivo, a exemplo do que relata Lenita sobre o bairro Jardim Lindóia, também teve linhas e horários ampliados com o crescimento da região. Para quem anda de carro, o tráfego na região é complicado nos horários de pico, em que costuma haver engarrafamento nas avenidas Goethe e 24 de Outubro. Outro aspecto que dificulta a vida dos motoristas é a quantidade de vagas de estacionamento, que não aumentou apesar do crescimento do volume de veículos na área. “Mas as pessoas circulam muito a pé, porque tem muitos serviços próximos e até para os bairros do entorno o pessoal costuma ir caminhando”, relata.

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“O Parcão é como uma parte da minha casa”, diz Caroline

E as caminhadas não são apenas um meio de transporte. Caroline conta que os moradores do Moinhos de Vento têm o hábito de se encontrar no Parcão. “O Parcão representa um momento de união, um lugar para encontrar as pessoas que a gente gosta”, descreve. O público que frequenta o parque é mais familiar, segundo ela, e isso é o que confere um diferencial ao lugar em relação a outros parques da capital gaúcha. “Para mim, ir lá dá a sensação é de que estar em casa, ele é como uma parte da casa”, explica. E o sentimento, para a analista de produtos, envolve todo o bairro. “É um local que representa minha vida inteira na cidade, conheço a área como a palma da minha mão, e quando viajo sinto prazer em voltar para Porto Alegre porque sei que vou estar no Moinhos de Vento”, finaliza.

Boemia e bossa nova
Pegando a Avenida Goethe e depois a Protásio Alves, chega-se ao Bom Fim, um dos bairros mais boêmios da capital gaúcha. É onde Magda Bazerque mora há 33 anos, em um apartamento de dois quartos. Nascida em Bagé, no sul do estado, a funcionária pública se mudou para Porto Alegre com a família, e desde então vem acompanhando as mudanças na região. “Hoje em dia tem muitos prédios, já não é mais tão tranquilo como quando cheguei”, comenta.

O crescimento no número de pessoas, principalmente de estudantes universitários que alugam imóveis na área, gera problemas como som alto à noite, lixo nas ruas fora do horário e falta de vagas de estacionamento – já que a maioria dos edifícios é mais antiga e não possui box dentro do terreno. Apesar disso, Magda gosta do lugar e diz que indicaria a região para quem estivesse pensando em se mudar. “Ou não indicaria, porque se não vai ficar muito povoado”, brinca.

Entre as vantagens da área, ela cita a proximidade com o Centro, aonde se pode ir a pé, e a facilidade de acesso a diferentes partes da cidade, tanto de carro quanto com o transporte público, com numerosas linhas comuns e de lotação passando nas avenidas Independência e Oswaldo Aranha. As vias também têm muitos restaurantes, e como o resto do bairro oferecem opções de comércio e serviços. “Muitas vezes, nem é preciso sair do Bom Fim para fazer compras”, diz a moradora.

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“A Redenção é como se fosse o quintal da minha casa”, diz Magda

Além disso, a funcionária pública destaca a proximidade com o Parque Farroupilha, ou Redenção, como é conhecido pelos porto-alegrenses. “A Redenção é como se fosse o quintal da minha casa”, afirma. “Antes tinha dois cinemas, um na Oswaldo Aranha, com três salas, e outro na Independência, que era mais “cult”, mas os dois fecharam”, lembra Magda.

Quem também sente falta dos cinemas de rua é a assistente social Maria Luiza Falcetta Bitencourt, moradora do bairro Menino Deus há quase 60 anos. Para ela, o fechamento do cinema Marrocos, do tradicional bar Roxy e da igreja – em estilo gótico, que foi fechada e incorporada a um edifício residencial construído no terreno – foram as grandes perdas da região nos últimos tempos. Mas outras opções de lazer surgiram, como os shoppings dos bairros adjacentes Praia de Belas e Cristal, e os restaurantes e bares das avenidas José de Alencar e Getúlio Vargas, por exemplo. “Mas a vida noturna aqui é bem peculiar, porque são locais aonde se vai em família; para os jovens, as festas são mesmo na Cidade Baixa, que é muito perto daqui”, pondera.

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A localização do bairro é uma de suas principais vantagens, acrescenta Maria Luiza. O transporte coletivo tem três linhas que ligam o bairro ao Centro, além de opções que levam para os bairros Azenha e Cidade Baixa, e das linhas transversais, que conectam a região às zonas Norte e Sul da capital gaúcha. O trânsito, segundo a moradora, é intenso durante o dia, principalmente quando há jogos da dupla Gre-Nal ou partidas importantes de um dos times, já que os estádios de ambos, Olímpico e Beira-Rio, ficam nos limites do bairro. “Tem gente que não gosta de morar perto deles, mas eu acho um privilégio”, comenta.

A infraestrutura da região tem comércio, escolas, bancos, serviços de saúde e opções de lazer e prática desportiva. E isso tudo deve melhorar, pensa Maria Luiza, já que a área deve receber investimentos por causa da Copa do Mundo de 2014, que terá partidas disputadas no Beira-Rio. Mas mesmo que isso não aconteça, ela diz que “jamais sairia do Menino Deus”, onde mora com os dois filhos em um apartamento de três quartos.

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“Minha vida inteira sempre foi no bairro: minha mãe morou no bairro, casou nele, eu conheci meu marido lá, comprei apartamento, meus filhos filhos nasceram no Mãe de Deus”, relembra a assistente social. Quando criança, o endereço da família era em frente ao parque de exposições da área. Por causa do pai militar, Maria Luiza acabou vivendo em outros locais, mas quando foi comprar seu próprio imóvel, quem adivinha a região que ela escolheu?

“Sempre trabalhei no Menino Deus e mesmo quando não morava no bairro passei todas as minhas férias nele, meus avós ainda moravam na região, minha vida pessoal e profissional é toda nela”, conta. A questão familiar, segundo a assistente social, é muito forte no bairro, em que as famílias se conhecem e acompanham filhos e netos dos conhecidos, hábito que se manteve mesmo com o crescimento da área. “As relações afetivas entre as famílias são muito grandes, pra mim é a melhor coisa do Menino Deus”, opina.

Outro destaque de Maria Luiza é para a história cultural do bairro, que sempre foi um ponto da cidade repleto de movimentos culturais. “A Bossa Nova de Porto Alegre começou no Menino Deus, com João Palmeiro [também conhecido como João da Benga] e Zequinha Guanabara, que se reuniam na Praça Menino Deus para tocar e atraiam músicos da cidade toda”, lembra. A assistente social, hoje envolvida com produção musical local, ainda conta que há duas lendas que envolvem o bairro: uma delas é de que João Gilberto teria morado na região; a outra é de que a música “Menino Deus”, de Caetano Veloso, teria também relação com a região porto-alegrense.

“Há três versões: de que ele teria se encantado pelo bairro, ou conhecido uma moça do lugar, ou gostado do nome mesmo sem conhecer o local”, conta. Maria Luiza ainda destaca que, além de tudo, o bairro é próximo do rio Guaíba, à beira do qual se pode chegar caminhando “para desfrutar da paisagem linda”. “É um lugar muito especial o Menino Deus”, finaliza.

A Ipanema porto-alegrense
Caminhar na beira do Guaíba – que na verdade é um lago, embora seja chamado de rio pelos moradores da capital gaúcha – é uma das melhores coisas de se morar em Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre. Ao menos é a opinião de João Antônio Pinheiro Machado, mais conhecido como Anonymus Gourmet, do programa homônimo na TV COM do Rio Grande do Sul. Há quatro décadas ele mora na “praia” porto-alegrense. “As pessoas subestimam a vista que se tem na região, é uma das paisagens mais bonitas do mundo”, opina.

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O jornalista e advogado já morou em Paris e Roma, que considera fantásticas, além de São Paulo e Brasília, mas acabou voltando para a capital gaúcha. “Sempre tive aquela sensação de que aqui é meu lugar”, conta. Na cidade, ele já morou em Petrópolis, no Bom Fim, mas diz que Ipanema é “inigualável”. O jornalista foi para a “praia” com a família, porque o pai comprou uma casa no local. “Era uma espécie de excentricidade morar ali, porque as pessoas tinham casa de veraneio em Ipanema, quando saíam elas diziam que iam para Porto Alegre, e lembro que meu pai ficava furioso porque parecia que o bairro não era na cidade”, recorda.

Hoje em dia a região já não é mais assim, cresceu e tem comércio movimentado, bares, cartório, posto de saúde, oficina mecânica, e o shopping também é razoavelmente perto. E tudo isso não gera tráfego? Anonymus Gourmet diz que sim, o trânsito está ficando pesado, principalmente nos horários de pico, “mas ainda não é tão ruim como em outros locais da cidade”. A área também é bem servida de ônibus e lotações, “mas se o metrô chegasse até aqui seria bem mais prático, eu por exemplo não iria de carro para o Centro”. O trajeto leva cerca de 30 minutos dirigindo, exatamente o mesmo tempo que o gaúcho levava quando morava no bairro Santana.

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Além da Zona Sul, Anonymus Gourmet também adora o bairro Centro. “São os dois locais na cidade com que tenho ligação, pois sempre trabalhei no Centro, mas sempre morei em Ipanema”. E qual ele indicaria para alguém pensando em se mudar? “Os dois, com entusiasmo!”, responde. Mas, no caso dele, é taxativo: “de jeito nenhum me mudaria de Ipanema, não vejo região mais bonita na cidade”, conclui.

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