20/09/2007

Poupança financia R$ 10,3 bi em imóveis de janeiro a agosto

Fonte: O Estado de S. Paulo

Valor destinado ao crédito imobiliário em oito meses já é maior do que foi alcançado em todo o ano de 2006

O financiamento para compra da casa própria com dinheiro da poupança é recorde pelo segundo mês consecutivo. Em agosto, os bancos emprestaram R$ 1,8 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

É a maior marca mensal desde 1984 e reflete o excepcional momento do mercado imobiliário, com crédito farto, prazos de financiamento que chegam a 30 anos, prestações fixas e forte concorrência entre os agentes financiadores, que incluem não apenas bancos, mas também companhias hipotecárias.

“”Em agosto, os financiamentos com recursos da poupança superaram o total empregado na habitação em todo o ano de 2002″”, observa o diretor-geral da entidade, Oswaldo Corrêa Fonseca. Naquele ano, o total foi de R$ 1,7 bilhão.De janeiro a agosto, os empréstimos somam R$ 10,3 bilhões, superando em 73,6% o total concedido no mesmo período de 2006 e o do ano inteiro de 2006, que foi de R$ 9,3 bilhões.

“”Se esse ritmo se confirmar, nossa previsão é que o ano feche com R$ 16 bilhões da poupança voltados para o financiamento imobiliário, um recorde””, diz o diretor da Abecip.

Também o total de unidades financiadas neste ano deve ultrapassar as marcas anteriores e somar 180 mil unidades. Até agosto, foram 117.237 mil e no ano passado inteiro, 113.873.

“”O crédito é o grande motor do segmento imobiliário””, afirma Ricardo Setton, diretor de Relações com Investidores da Agra Incorporadora. Ele observa que há 10 anos a taxa básica de juros, a Selic, que baliza o mercado, estava em 38% ao ano, caiu para 25% em 2002 e hoje está em 11,25%. O prazo máximo, que estava em 36 meses em 1997, cresceu para 100 meses em 2002 e atualmente é de 360 meses ou 30 anos.

Com isso, observa Fonseca, ficou mais fácil comprar imóvel. Hoje uma pessoa que ganha seis salários mínimos por mês (R$ 2.280) tem o acesso a uma linha de crédito para compra de imóvel que em 2004 só era possível para quem recebesse 14 salários mínimos (R$ 5.320) mensais.””O valor da prestação caiu e atualmente equivale a um aluguel. Em 2004, a mensalidade do financiamento correspondia a quatro vezes um aluguel””, compara.

O bom momento do setor já tem reflexos na velocidade de vendas dos imóveis novos. No primeiro semestre deste ano o total de imóveis na cidade de São Paulo em relação ao ofertado foi de 17%, segundo pesquisa do Secovi-SP, o sindicato da habitação. “”Esse índice é recorde””, afirma o vice-presidente de Comercialização e Marketing da entidade, Élbio Fernandes Mera. No primeiro semestre do ano passado esse indicador foi 13% e a média sempre girou em torno de 11%, observa.

Apesar do aquecimento do mercado com a demanda maior do que a oferta, Fernandes Mera observa que os preços dos imóveis não subiram. Ele argumenta que, com a abertura de capital das empresas, que já são 22, o setor está capitalizado e as companhias têm compromissos de apresentar resultados para os investidores, com metas de vendas estipuladas.

Outro indicador da exuberância do setor é a adesão ao Salão Imobiliário de São Paulo, que começa no dia 27, em São Paulo. Em quatro dias do evento, organizado pelo Secovi-SP, pela Alcantara Machado Feiras e Negócios e a Reed Exhibitions, 220 empresas, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias, bancos e companhias hipotecárias, vão trabalhar para vender 30 mil imóveis, o dobro da primeira edição da feira, ocorrida no ano passado.

Ricardo Matrone, diretor do evento, conta que uma das novidades deste ano é o maior número de bancos participantes, de mais dez, ante quatro em 2006, e a entrada de companhias hipotecárias, que começam a disputar os financiamentos. O foco dos negócios são imóveis residenciais de R$ 60 mil a R$ 250 mil.

 

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