16/08/2010

Preço de imóvel para alugar mais do que dobrou

Fonte: Luciana Calaza e Ystatille Freitas
(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A falta de imóveis para locação no Rio, sobretudo na Zona Sul, e a expansão da demanda fizeram o valor do aluguel disparar nos últimos dois anos. O aumento médio é de 40%, como noticiou ontem a coluna Negócios & Cia. Enquanto a inflação ao consumidor, no mesmo período, foi de 9,3%.

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Mas, em alguns casos, o preço chega a dobrar – caso dos apartamentos de quatro quartos em Botafogo e Leblon, que tiveram alta de 110,5% e 101,9% na comparação de agosto deste ano com o mesmo mês de 2008.

Em Botafogo, o valor médio, que era de R$ 2.265, passou para R$ 4.768. Já no Leblon, o preço subiu de R$ 4.072 para R$ 8.223 mensais. É o que aponta pesquisa do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi Rio).

Para especialistas, apesar de muita gente estar aproveitando a flexibilidade oferecida pelos bancos para comprar a casa própria, o aumento da renda da população e do número de trabalhadores com carteira assinada está fazendo com que outras pessoas comecem a pagar aluguel.

Além disso, ressalta o vicepresidente do sindicato, Leonardo Schneider, a escassez de imóveis acaba levando os inquilinos a alugarem por mais do que se propunham a pagar. Os preços, assim, acabam subindo.

“Com o aumento do nível de emprego e a consolidação da renda do brasileiro, a população está investindo mais em moradia. As pessoas estão buscando residências que estejam próximas do trabalho, da faculdade. Essa necessidade está fazendo com que elas, muitas vezes, apertem o orçamento para alugar imóveis que atendam às suas necessidades.”

O presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi), Pedro Carsalade, faz a mesma avaliação:

“O Rio está em atividade econômica muito acelerada, tanto por causa dos investimentos necessários aos grandes eventos que estão por vir, como Copa e Olimpíadas, mas também porque muitas empresas, algumas multinacionais, estão se instalando na cidade. E a quantidade de imóveis não é suficiente”, diz Carsalade, lembrando que nos bairros mais valorizados da Zona Sul (Ipanema, Leblon, Lagoa, Gávea e Jardim Botânico) as imobiliárias nem chegam a anunciar os imóveis.

Ele ainda emenda: “Há filas de espera. Isso provoca realmente uma pressão nos preços.”

O economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Luiz Carlos Ewald diz que a valorização média de 40% do mercado de aluguéis é muito mais do que se poderia esperar por causa da inflação.

“É uma alta muito acima do que seria natural, reflexo da hipervalorização do mercado imobiliário, que, na minha opinião, já corre risco de bolha.”

“Mais para a frente isso vai ter consequências”, afirma.

Com a escassez do mercado de locações na Zona Sul, Leonardo Schneider afirma que a procura por imóveis em bairros da Zona Norte também está crescendo.

De acordo com dados da administradora de imóveis Apsa, da qual é diretor, a busca por imóveis para aluguel na Tijuca subiu 22,74% em julho, principalmente devido à chegada das UPPs. O preço do aluguel de dois quartos subiu 44,2%, passando de R$ 607 a R$ 875, de acordo com o Secovi Rio.

Schneider observa que o preço do imóvel para venda na cidade sofreu uma valorização ainda maior, passando de 200% em alguns casos específicos, o que vem atraindo muitos investidores.

“Durante um bom tempo, alugar um imóvel não era considerado um bom investimento porque as aplicações nos fundos de renda fixa davam rentabilidade maior. Mas esse cenário está mudando. Além disso, as mudanças na Lei do Inquilinato dão maior segurança a quem põe o imóvel para alugar”, diz.

 

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