25/10/2011

Preço dos imóveis em São Paulo está muito perto do topo

Fonte: Estado de S.Paulo
(Foto: Divulgação)

Dúvida do leitor – Possuo um apartamento que vale R$ 660 mil (sem comissão do corretor, em caso de venda). Pretendo adquirir outro apartamento com valor que fique entre R$ 850 mil e R$ 900 mil. Tenho R$100 mil aplicados na poupança. As aplicações na poupança têm rendimentos muito inferiores à valorização dos imóveis ultimamente. Se continuar fazendo aplicações na caderneta, ficará cada vez mais difícil trocar de imóvel, dado que a diferença entre o que possuo e o valor dos imóveis vão aumentar bastante. Enfim, na sua opinião, mesmo que o meu apartamento continue se valorizando, será melhor continuar poupando ou financiar a pequena parte?

Especialista – A decisão de trocar de imóvel usualmente envolve vários aspectos diferentes e muitos são de caráter pessoal e sentimental. Na perspectiva financeira, nossa leitora tem razão sobre a subida de preços dos imóveis, mas deve perceber que os preços já estão muito altos e não devem continuar com crescimento acelerado. O Secovi aponta que as vendas de imóveis acumuladas caíram em torno de 24% e os apartamentos que estão vendendo mais são os menores. Caso ela resolva trocar o apartamento de imediato tendo como base os valores mencionados, ela terá que financiar entre R$ 90 e R$ 140 mil. Considerando este financiamento por 10 anos, deverá resultar em prestações entre R$ 1,4 mil e R$ 2,1 mil. Para a decisão final, nossa leitora deve ponderar, além de suas motivações pessoais, sua capacidade de pagamento das prestações frente a sua capacidade de poupar dinheiro para poder avaliar em quanto ela teria o valor total necessário sem ter que arcar com o financiamento.

O sr. tem informações sobre a falência da Boi Gordo. Estou associada à UNAA Global e tenho tido dificuldade de saber como está o processo. Consegui falar com um dos advogados que entende que não há muita chance de recebermos algo. Por outro lado, a associação ALBG, acredita que receberemos os valores corrigidos. Há também um site da massa falida que publica os leilões, ao qual escrevi e não obtive resposta.

A falência das Fazendas Reunidas Boi Gordo lesou mais de 30 mil credores entre trabalhadores, Fisco, investidores e fornecedores, tendo um passivo estimado em cerca de R$ 2,5 bilhões, em valores da época. A melhor fonte de informações sobre o estado atual dos processos envolvendo a Boi Gordo é o site www.massafalidaboigordo.com.br. Este portal contém todas as informações oficiais sobre o andamento da falência de 2004. A Justiça marcou para 7 de novembro o leilão dos imóveis e a expectativa é arrecadar cerca de R$ 56 milhões para os credores. O edital deste leilão encontra-se disponível no site. Ali, pode ser encontrada também a situação de cada processo movido por credores individuais – e é apontado o saldo das contas judiciais da massa falida em R$ 24 milhões. Acredito que o melhor é insistir em obter informações diretamente dos responsáveis pelo site.

Aposentei-me pelo INSS em 2004 e recebo hoje R$ 2 mil mensais. Continuei trabalhando na mesma empresa na qual me aposentei e, a meu pedido, serei dispensada em 2011. Entre os valores que receberei por ocasião da homologação tenho R$ 70 mil (sem o desconto de I.R.) referente à previdência. As opções para receber esse valor são: em 23 parcelas; receber 25% do total e transformar os 75% em renda vitalícia; transformar todo o montante em renda vitalícia. Se eu escolher a primeira opção, a minha ideia é aplicar religiosamente os valores recebidos mensalmente no Tesouro Direto ou em uma aplicação corrigida pelo CDI com pelo menos 100% de retorno. Na sua opinião, qual a melhor alternativa?

A resposta não é simples sem termos todos os dados referentes ao plano de previdência de sua empresa. Pois, dependendo dos custos e da rentabilidade que essa carteira está oferecendo, a decisão pode ser alterada. No entanto, um cálculo simples pode orientar essa decisão. Vamos admitir que a alíquota de Imposto de Renda em caso de saque imediato seja de 10% (faixa mais baixa). Assim, o montante disponível ao investidor será de R$ 63 mil .Este valor, rendendo líquido em torno de 0,6% ao mês, ofereceria um ganho de R$ 378 mensais. Este é o valor que poderia ser gasto mensalmente para preservar o principal investido. Portanto, o valor está abaixo da renda vitalícia de R$ 450 mensais oferecida pelo plano. Lembrando ainda que a oferta de saque é em 23 parcelas, assim, na prática, o cálculo do rendimento somente poderia ser efetivado em sua totalidade após o período de 23 meses.

*Fábio Gallo é professor de finanças da FGV e da PUC-SP.

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