30/10/2006

Preço e conforto dos usados seduzem a classe média

Fonte: O Estado de S. Paulo

Apartamento novo chega a custar 60% mais caro que o antigo. Com a diferença, há quem prefira reformar e guardar economias

Clayton de Souza/AEZap o especialista em imóveisConquista: Maria Teresa comprou imóvel no qual morava há nove anos. Amor à região pesou na escolha

Pé direito alto e cômodos amplos, os apartamentos usados estão em plena fase de conquista do coração (e do bolso) dos compradores, principalmente os de classe média.

A professora de inglês Maria Teresa de La Torre, por exemplo, depois de uma longa pesquisa por apartamentos novos, entrou em acordo com o proprietário do imóvel em que residia há nove anos, na Vila Mariana, e o arrematou por um preço bem mais em conta do que se comprasse um novo.

Ela percebeu uma disparidade que o mercado imobiliário já notou.
Levantamento feito pela consultoria Berrini1001 a partir de uma base de dados com 150 imóveis constatou que a diferença de preço entre um novo e um usado – de 15 anos de idade – , de dois a três dormitórios, é de 60%.

Nesse padrão, pondera o estudo, fica claro: quanto mais novo, mais caro é o apartamento. A região já não conta tanto e essa diferença pode ser notada em uma mesma quadra.

O mesmo critério não serve para apartamentos maiores. Nos de quatro dormitórios não há tanta discrepância. Uma série de variáveis interfere nos preços dos imóveis de alto padrão, de quatro ou mais dormitórios, como vagas de estacionamento, área de lazer (piscina, churrasqueira, quadra poliesportiva) e outros aspectos técnicos, como número de elevadores, depósitos e fachada.

Maria Teresa está convicta de que fez bom negócio. “Fiquei no meu apartamento e, mesmo com a reforma, economizei em torno de 20% do montante que seria necessário para comprar um novo ainda menor, em Moema.” A professora diz que ganhou em espaço, tranqüilidade de permanecer na região onde os comerciantes e vizinhos já são familiares e o sono leve por dormir sem pensar em financiamentos. “Não queria ter de me preocupar com dívidas longas”, diz. “Assim fico com mais folga para viajar, trocar de carro ou mesmo não ficar com a renda tão apertada.”

Ela também comemora o fato de continuar com a mesma área de serviço, ampla e reservada aos olhos dos vizinhos, além de quartos e sala amplos e arejados.

Pelo apartamento de 80 m², no edifício que foi erguido em 1978, a professora pagou R$ 90 mil e gastou outros R$ 20 mil na reforma. “Troquei a fiação, encanamento, piso, azulejo, portas, armários e pintei.” Ela não quis abrir mão do apartamento por gostar também da sua área de serviço. E dá dicas para quem quer fazer o mesmo. “Tive sorte, quem escolhi para fazer a reforma era um profissional que já havia feito outros trabalhos no prédio. Conhecia muito bem o tipo de fiação e encanamento. Isso conta muito.”

Depois de visitar “uns 60 ou 90 apartamentos”, o engenheiro Fernando Belloube decidiu fazer reforma em um apartamento de 40 anos, 175 m² , nos Jardins. Gastou R$ 62 mil refazendo a parte hidráulica, elétrica, rede de dados, cozinha, banheiros e piso. “Ainda assim economizei 35% do preço de um novo equivalente em área, mas o mais importante é que ganhei em qualidade de espaço, os novos são muito compartimentados”, diz. “

Comparativos

De acordo com levantamento da Berrini1001, um apartamento de 78m² de área útil, dois dormitórios, em um edifício de 24 anos na região do Brooklin, por exemplo, custará em torno de R$ 130 mil. Um lançamento na mesma região, de porte idêntico, com 73m², custa o dobro.

Um apartamento que ficará pronto no ano que vem, com três dormitórios e 108m² de área útil, tem preço de R$ 407 mil. Um do mesmo porte com 25 anos, pode ser arrematado por pouco mais que a metade do preço do novo.

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