26/11/2006

Preços da brita sobem 30%

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aumento confirma expectativa dos empresários, que alertaram para a falta de produção no início do ano

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisCompósito Ecológico – Criado por pesquisadores da Ufscar para substituir a brita. Usa resíduos das estações de tratamento de água e serragem

A falta de investimentos na modernização das pedreiras provocou um aumento de 30% nos preços da brita. “Isso confirma as previsões do início do ano, quando anunciamos que haveria grande dificuldade no atendimento do mercado”, diz Raul Cancegliero, assessor-técnico do Sindicato da Indústria de Pedra (Sindipedras).

Além de desatualizada, a capacidade de produção das pedreiras está muito próxima da demanda, o que aumenta a necessidade de novos investimentos.

“As pedreiras deveriam ter investido bem mais para atender ao aumento de demanda nas britas finas, ocorrido em função da evolução dos sistemas construtivos. Agora é preciso também aumentar a capacidade produtiva”, diz.

O aumento de demanda de forma geral, comparado ao ano passado, foi de 10% segundo dados do Sindipedras. O assessor diz que a expectativa das empresas é que a elevação de 30% nos preços seja suficiente para que o setor volte a ter capacidade de investimento. E descarta a possibilidade de grandes impactos nos custos da obra. “Os gastos com brita correspondem de 2% a 4% do valor total da obra. É muito pouco”, explica.

Além da modernização do parque industrial, Cancegliero diz que é preciso aumentar a reciclagem. “Hoje não chega 1%”, afirma.

A pedra, embora seja um recurso não renovável, não tem problemas com falta de reservas no Brasil. “São suficientes para algumas dezenas de anos de exploração”, diz Raul Cancegliero, assessor-técnico do Sindicato da Indústria de Pedras (Sindipedras).

Com preços relativamente baixos, a brita não permite transportes a longas distâncias. Na Grande São Paulo, segundo o assessor, as reservas estão bem distribuídas. “Só são menores na região Sul”, diz.

Mesmo assim, a pesquisa tem trabalhado na busca de alternativas. Almir Sales, professor do departamento de Engenharia Civil (Deciv) e Francis Rodrigues de Souza, pós-graduando em Construção Civil da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), desenvolveram um novo compósito, que mistura serragem ao lodo de esgoto, resíduo das estações de tratamento de água, capaz de substituir a brita na massa de concreto.

O depósito de pedido de patente do invento, chamado Processo de preparação de compósito leve, compósito assim preparado, uso e concreto de peso leve contendo o mesmo, já foi realizado. O novo produto pode ser usado em massas de concreto leve, utilizado na construção de lajes e paredes de vedação.

Entre as vantagens do invento, os pesquisadores destacam o peso do concreto produzido com o composto, aproximadamente 30% mais leve que o de brita. E essa leveza reduz também o custo final de todo o sistema estrutural de concreto armado.

Do ponto de vista ambiental, o novo compósito substitui um material que, além de não renovável, causa degradação do meio quando extraído. “Todas as pedreiras trabalham com base no Relatório de Impacto no Meio Ambiente (Rima) e se comprometem a fazer a recuperação da área, mas sem dúvida é importante buscar alternativas”, garante Cancegliero. O invento funciona também como um destino seguro para resíduos poluidores, que se acabam tornando um dispendioso passivos ambiental para toda a cadeia da construção.

O produto pode ter diversas dimensões e ser utilizado em dosagens variáveis, com resistência mecânica suficiente para manter a configuração geométrica dos elementos de concreto não estrutural de peso leve.

Com borracha

Além do novo compósito, que depende do interesse de empresários para chegar ao mercado, é possível substituir a pedra britada por pneu picado. Chamado concreto DI, foi desenvolvido pelo Instituto Via Viva para reduzir os danos provocados por impactos de automóveis nas barreiras de concreto de estradas e ruas.

 

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