30/09/2008

Preços da construção disparam

Fonte: Jornal da Tarde

Tijolo ficou 23,47% mais caro entre janeiro e agosto, por conta da alta da inflação em 2008

Quem está pensando em construir ou reformar a casa deve preparar o bolso, pois o preço do material de construção disparou nos primeiros oito meses do ano, ficando bem acima dos índices registrados no mesmo período de 2007 para a maior parte dos produtos. O tijolo, por exemplo, ficou 23,47% mais caro entre janeiro e agosto, ante 4,90% no ano passado. A alta da areia, o segundo item com a maior elevação, foi de 22,80% em 2008, contra 5,77% em 2007, segundo dados do Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Um dos problemas apontados para justificar o aumento dos produtos é a inflação, que teria causado uma elevação muito grande nos preços da construção civil entre janeiro e agosto deste ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou os oito primeiros meses do ano em 4,2%; no mesmo período de 2007, o indicador ficou em 2,32%.

Sendo assim, alguns produtos ligados ao setor da construção civil, como tijolos, cimento, areia e telhas, por exemplo, tiveram altas bem superiores à inflação acumulada no período, segundo mostram os dados divulgados pelo Dieese.

O problema é que, além do IPCA, outros fatores também pesaram para aumentar o custo dos produtos aos consumidores. “Houve uma inflação no preço dos produtos, mas também temos a questão do aumento da demanda nesse mercado. O cimento, por exemplo, está em falta e, por isso, ficou mais caro”, explicou o empresário João Cláudio Robusti, ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

Ele conta que outras matérias-primas, como vigas de aço, também subiram de preço por conta da escassez no mercado. “Antes, conseguíamos encomendar aço e receber em uma semana. Hoje, somos obrigados a fazer um planejamento muito maior, pois o produto pode demorar até 40 dias para ser entregue”, disse Robusti.

Além disso, até mesmo a variação do preço do combustível tem afetado os preços, pois influencia diretamente no custo do frete das mercadorias.

Há duas semanas, o presidente do SindusCon, Sergio Watanabe, foi procurado por representantes da Casa Civil para dar informações sobre a alta dos preços de materiais de construção e os problemas que isso tem causado ao setor. O governo recebeu a informação de que muitos itens indispensáveis para a realização das obras ficaram até 25% mais caros nos últimos 12 meses, em alguns casos.

Quanto à falta de produtos nas lojas especializadas, a Associação dos Fabricantes de Materiais de Construção (Abramat) informou o SindusCon de que todas as empresas ligadas à entidade assumiram o compromisso de atender à demanda do mercado.

No caso específico do cimento, o problema de escassez também pode ser resolvido em breve. Na semana passada, voltou a funcionar normalmente uma fábrica da Votorantim em Minas Gerais, que havia passado 15 dias operando com apenas uma parte da produção, por conta de obras de manutenção na empresa. Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), esse problema, somado a outros, tinha reduzido a produção em 30%.

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