18/06/2010

Preços de imóveis novos disparam, com alta de até 42% em um ano em SP

Fonte: O Estado de S. Paulo

Alta dos preços do metro quadrado superou de longe a valorização de outros ativos, como CDI e poupança, perdendo apenas para a bolsa

No caso de dois e três dormitórios, a alta foi de 27% (Foto: Divulgação)
No caso de dois e três dormitórios, a alta foi de 27% (Foto: Divulgação)

Os imóveis residenciais novos, tanto os de classe média como os empreendimentos de alto padrão, tiveram forte valorização este ano na cidade de São Paulo. Pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) revela que o preço do metro quadrado de imóveis de dois dormitórios subiu 42,86% no 1.º quadrimestre na comparação com o mesmo período de 2009. No caso de dois e três dormitórios, a alta foi de 27%.

A alta dos preços do metro quadrado entre janeiro e abril superou de longe a valorização obtida em outros ativos. Segundo cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo, o capital investido no período em certificados de depósito interbancário (CDI) se valorizou 9,19% e na caderneta de poupança, 6,68%, Já os recursos aplicados em ouro tiveram desvalorização de 6,84% e no dólar houve uma retração de 23,83%.

Apenas as aplicações na bolsa, sustentadas pelo bom desempenho da economia, tiveram valorização superior à dos imóveis (74,17%). Os cálculos foram feitos a pedido do Estado, com base na cotação dos investimentos do último dia útil de fevereiro deste ano, comparada com a mesma data de 2009.

“Os preços dos imóveis em São Paulo estão chegando ao topo”, afirma o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia. Ele aponta alguns fatores que, na sua opinião, estariam sustentando a surpreendente valorização dos preços dos apartamentos e casas novas. O primeiro deles é a escassez de terrenos na cidade de São Paulo em razão da mudanças no plano diretor, que, pelas novas regras, reduziu pela metade a disponibilidade de áreas para erguer edifícios.

Além disso, como a maioria das construtoras abriu recentemente o capital e arrecadou grandes somas de dinheiro no mercado, a corrida dessas companhias para fazer um grande banco de terrenos inflacionou os preços.

O ambiente econômico, com o crescimento da renda, do emprego e do crédito, especialmente o imobiliário, também contribuiu para a aceleração das vendas de imóveis novos. Nas contas do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe, entre recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da caderneta de poupança, serão injetados perto de R$ 70 bilhões de crédito para compra de imóveis neste ano, uma cifra recorde.

INVESTIDORES – Diante da grande valorização, Pompéia observa que está havendo um forte movimento de investidores no setor imobiliário residencial, o que de certo modo contribuiu para a manutenção de preços dos ativos em níveis levados. “São investidores nacionais e estrangeiros que compram imóveis na planta visando a uma valorização até o término da construção, isto é, em 18 meses em média.”

Na Fernandez Mera Negócios Imobiliários, um terço das vendas de imóveis novos neste ano foram para investidores, conta o diretor Fabio Soltau. Ele observa que a mudança na Lei do Inquilinato prevê a retirada do inquilino inadimplente em 90 dias, recuperou o valor dos aluguéis e fez do imóvel um bom investimento.

Animado com o desempenho do mercado, Soltau diz que a sua empresa registrou crescimento superior a 50% nas vendas de imóveis de um e dois dormitórios entre janeiro e maio deste ano em relação a igual período de 2009. Neste ano, a imobiliária vai ampliar em 70% o número de lançamentos ante 2009.

A construtora Gafisa é outra que pisou no acelerador. No primeiro trimestre, a empresa ampliou em 495% o número de unidades lançadas em todo o País. O diretor de incorporação da companhia em São Paulo, Sandro Gamba, conta que a empresa decidiu antecipar lançamento do 2.º para o 1.º semestre. “Em apenas um fim de semana, vendemos 100% de um empreendimento com 500 apartamentos, com valor médio de R$ 400 mil.”

O boom do mercado ocorre não apenas nos imóveis de um e dois dormitórios voltados para a nova classe média brasileira, favorecida pela maior oferta de crédito.

Fernando Sita, diretor da Coelho da Fonseca, conta que vendeu no último fim de semana 30% de um empreendimento de alto luxo, cujo metro quadrado do imóvel custa R$ 9 mil. “Depois da crise, os investidores começaram a encarar os imóveis como um porto seguro.”

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