20/04/2009

Prédios estão desistindo da conversão ao gás natural e voltando ao botijão

Fonte: Jornal da Tarde

Para cortar custos, condomínios correm atrás da alternativa. E conseguem bons resultados

Pagando R$ 27 mil por mês de gás e precisando cortar custos, o condomínio Barra Palace, na Barra da Tijuca, correu atrás da alternativa possível. Há três meses, seus 450 apartamentos voltaram a usar o gás liquefeito de petróleo (GLP), relegando o gás natural (GN) a segundo plano. Como experiência, o GLP (conhecido como gás de botijão) está, inicialmente, servindo para o aquecimento de água. Mas o resultado é melhor do que o esperado: o condomínio passou a pagar aproximadamente R$10 mil mensais – mais R$ 4 mil, pelo gás natural que abastece os fogões.

“A proposta que recebemos de uma distribuidora de GLP era vantajosa. Não demandava grande obra e ela arcava com os custos das instalações, seguindo todas as normas da ABNT. Por enquanto, estamos satisfeitos com a economia e não tivemos nenhum problema de abastecimento”, informa o síndico Luís Carlos Teixeira.

A CEG informa que não sabe quantas residências, depois da conversão para o gás natural, acabaram voltando ao GLP. Mas não faltam exemplos de condomínios que estão optando pelo antigo sistema. No Edifício Le Lis, em Jardim Icaraí, Niterói, os proprietários foram pesquisar: quando o prédio ficou pronto, no fim de 2007, convidaram representantes da CEG e de uma distribuidora de GLP para que cada um dissesse o que tinha a oferecer. Acabaram optando pelo GLP.

“Com o gás natural, é preciso pagar uma taxa mínima de consumo e, no prédio, temos muitos casais jovens, que passam o dia fora e consomem pouco gás. Não valeria a pena financeiramente”, explica o síndico Raphael Theodoro, frisando que um laudo do Corpo de Bombeiros atesta a total segurança das instalações.

Isso porque, se por um lado o GLP é mais barato, o gás natural é considerado mais seguro, já que não é tóxico e se dissipa rapidamente na atmosfera, em caso de escapamento. Além disso, o gás natural é fornecido como um serviço público e, portanto, é regulado pelo governo, o que dá mais garantias ao consumidor. E é canalizado, enquanto o GLP é vendido em botijões.

Mas um equívoco é achar que o botijão precisa ficar dentro da cozinha. Ele pode ficar numa central de gás e abastecer uma residência por meio de tubulações. Além disso, o consumo das unidades de um prédio pode ser medido individualmente pela distribuidora, que envia as contas separadamente para cada morador.

A livre concorrência é uma vantagem do GLP, já que o consumidor pode escolher o produto levando em conta seu custo-benefício. No Brasil, atuam 21 distribuidoras, sendo que as quatro maiores cobrem 87% do mercado. O gás natural, por outro lado, no Estado do Rio, só é fornecido pela CEG. Mas ele é menos poluente, embora a diferença de emissões de gás carbônico (CO) para o GLP seja pequena e as duas quantidades sejam consideradas mínimas.

Os moradores do Residencial Adelfi, no Recreio, também preferiram o GLP, mesmo com o prédio tendo sido construído para receber gás natural. A síndica Patrícia Mostavenco informa que o gasto mensal, de cerca de R$600 para todo o prédio, de 12 apartamentos, subiria para R$1.170, no caso de uso do natural:

E o fornecimento é feito regularmente, sem ter que ligar para pedir.

CONSUMO BAIXO NO PAÍS TORNA GÁS NATURAL CARO – Enquanto os defensores de gás natural dizem que este é mais seguro, os de GLP dizem que os riscos são os mesmos com qualquer gás. E, para evitar acidentes, é preciso checar sempre se há vazamentos, não instalar equipamentos a gás em locais sem ventilação permanente e não fazer ligações sem orientação técnica.

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello, ressalta, ainda, que uma série de eletrodomésticos funciona a GLP: “Há geladeiras, aparelhos de ar condicionado, churrasqueiras… Um erro comum é achar que aquecedor de água à gás é feito somente para gás natural, o que não é verdade. Mais da metade dos modelos existentes no mercado são de GLP.”

O diretor de Relações Externas da CEG, Olavo Rufino, afirma, no entanto, que em nenhuma outra capital do mundo se usa GLP: “Não cobramos o metro cúbico de gás e sim o serviço de distribuição deste produto, que inclui vistorias nas casas dos clientes. O gás de botijão está fora da modernidade.”

Os defensores do GLP dizem que, como o consumo no Brasil é baixo, já que a população não necessita de calefação, o custo do transporte em dutos do gás natural fica muito alto.

“Na Europa, o gás natural normalmente chega mais barato que o GLP, porque os quatro meses de inverno com calefação pagam pelo ano todo”, acrescenta Bandeira de Mello.

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