24/04/2012

Prefeitura de Porto Alegre abre processo para desapropriação do prédio da Confeitaria Rocco

Prefeitura de Porto Alegre abre processo para desapropriação do prédio da Confeitaria Rocco

Fonte: Revista do ZAP

Declarada de utilidade pública, antiga confeitaria localizada no centro de Porto Alegre deverá ser comprada pela prefeitura da capital gaúcha

A cinco meses de se tornar centenário, o prédio inativo da Confeitaria Rocco, no centro de Porto Alegre, pode enfim ter uma mudança no curso da sua história. Nesta segunda-feira, 23 de abril de 2012, a prefeitura da capital gaúcha divulgou que está aberto o processo de desapropriação do imóvel, há anos jogado em um esquecimento imerecível.

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O prédio da esquina das ruas Riachuelo e Dr. Flores foi um dos mais importantes de Porto Alegre. Construído a mando do italiano Nicola Rocco e inaugurado nos 77 anos da Revolução Farroupilha, em 20 de setembro de 1912, recebeu os presidentes da República Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra, o presidente da província Borges de Medeiros e o escritor Mario de Andrade.

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No salão de festas do segundo andar, fazia-se casamentos e recepções. Mas sua importância também é arquitetônica, segundo o coordenador da Memória da Secretaria da Cultura, Luiz Antônio Bolcato Custódio.

“A confeitaria é um dos belíssimos prédios do ecletismo de Porto Alegre. Pela relação do antigo proprietário com o então presidente da província, Borges de Medeiros, é cheia de elementos simbólicos do positivismo na fachada. Nesse processo de revitalização do Centro Histórico, a Rocco é uma peça fundamental”, afirma.

Após a morte de Rocco, em 1932, a confeitaria durou mais 36 anos. Depois, abrigou uma ferragem, um cursinho pré-vestibular e uma imobiliária, entre outros. No embalo do sucesso do filme Chocolate (2000), com Johnny Depp e Juliette Binoche, uma empresa cogitou instalar uma chocolataria no local, mas a ideia não progrediu.

Hoje, há um consenso no Executivo municipal de que a Casa Rocco deveria voltar a ser uma confeitaria. Para desapropriá-lo, a prefeitura declarou que o imóvel é de utilidade pública.

Família considera alto o custo de manutenção e restauro
Faz anos que os herdeiros de Rocco se reúnem com as diferentes administrações municipais para negociar a venda do imóvel. Familiares garantem que o desejo é de se desfazer do prédio porque os custos de manutenção e restauro são muito altos. Um valor oferecido pela prefeitura teria chegado a R$ 450 mil – o que seria menos da metade do pretendido pelos herdeiros.

“Nós já gastamos demais, ali. Aquilo, para nós, é um elefante branco. Se a prefeitura vai ficar com o prédio, que pelo menos chegue no preço que queremos. Não é nenhum absurdo, é um valor justo”, disse um dos herdeiros de Rocco, que pediu para não ser identificado.

A família já designou uma pessoa para negociar com a prefeitura. Técnicos do município atualizarão o valor do imóvel para depois iniciar conversações com a família.


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