16/12/2007

Prefeitura inaugura ecoponto

Fonte: O Estado de S. Paulo

Rede tem, agora, 19 pontos para descarte gratuito de restos de obras em pequenos volumes

A prefeitura de São Paulo inaugurou, sexta-feira, (último dia 14) o Ecoponto Jardim Maria do Carmo, o 19.º da cidade, que atenderá à região do Butantã. A rede foi criada para atender quem tem até 1 m³ de resíduos de construção para descartar. Antes da abertura dos ecopontos, em 2005, o morador deveria contratar uma caçamba para recolher os resíduos, o que custa entre R$ 120 e R$ 150.

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisBom destino – Cerca de 17 mil m³ de lixo de obra foram levados para os 18 ecopontos este ano

 

 

 

 

 

 

 

 

No último mês, os ecopontos paulistanos receberam 2 mil m³ de resíduos inertes, como são chamados restos de madeira, alvenaria, gesso, vidro, móveis velhos e todo tipo de bagulho. O acumulado do ano até agora está em 17 mil m³, que acabariam nas ruas segundo Valdecir Papazissis, coordenador do Núcleo Gestor de Entulhos do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb). “O descarte irregular, nas ruas, entope bueiros e cria problemas para os próprios moradores”, diz.

Os ecopontos foram criados para atender às exigências da Resolução n.º 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como uma solução para a coleta e correta destinação de 65% do lixo inerte produzido na cidade, que vem de pequenas obras. O projeto, desenvolvido pelo Grupo de Ação Conjunta, que reúne o SindusCon, a Secretaria do Meio Ambiente e os caçambeiros, regulou ainda a atuação dos caçambeiros, que passaram a ter cadastro na Limpurb. A lista de empresas também cresceu no período.

Papazissis diz que a meta é implantar uma unidade em cada um dos 96 distritos da cidade. “A dificuldade para isso está diretamente ligada à disponibilidade de área. Temos outros 16 ecopontos em processo de implantação, que deverão se encerrar até o final do primeiro semestre de 2008. O coordenador ressalta que a contratação de caçambeiros não cadastrados implica risco de descarte irregular.

O nó do sistema

Entulho – A grande solução para o lixo da construção, segundo os especialistas, está na reciclagem, em especial do entulho. “Há um movimento internacional que prega o uso do agregado reciclado no concreto estrutural e não apenas em peças não estruturais e na pavimentação, como é comum”, explica o engenheiro civil Sérgio Anglo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Só assim, segundo ele, será possível criar um mercado significativo, capaz de influir no cenário atual.

Angulo desenvolveu a tecnologia necessária para isso em seu doutorado na Poli/USP. “Avaliamos a densidade dos resíduos e com isso, conseguimos separar os mais resistentes dos menos resistentes.” Ele agora estuda a viabilidade de produção em escala industrial, mas a possibilidade dessa tecnologia chegar ao mercado ainda é distante. “Resolução do Conama obriga a separar os minerais na obra. Como a prefeitura não organiza estrutura de reciclagem e descarte, as construtoras também não fazem, porque não terão onde colocar”, diz Vanderley John, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli e orientador de Angulo.

Valdecir Papazissis, coordenador do Núcleo Gestor de Entulhos, diz que a Prefeitura está trabalhando na abertura de Áreas de Transbordo e Triagem de Resíduos da Construção Civil (ATTs), criadas pelo mesmo projeto que resultou nos ecopontos, que recebem os resíduos das construtoras e dá a destinação correta a cada um. Até agora, apenas três conseguiram o licenciamento na Cetesb. E foi aprovada uma lei obrigando ao uso de agregado reciclado nas obras de pavimentação. “Só que a prefeitura mesmo não cumpre”, reclama John.

Papazissis explica que não há oferta de agregado reciclado na cidade. “Estamos organizando a implantação de dez usinas de reciclagem de entulho para resolver isso. Além disso, contratamos mais dois aterros”. Já existem pelo menos três usinas de reciclagem de entulho em operação, mas fora do município, na Grande São Paulo. A Urbem Tecnologia Ambiental, em São Bernardo do Campo, trabalha desde 2004. O administrador, Marcelo Baldini, diz que os principais clientes são as prefeituras de São Bernardo e Mauá e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “Nos últimos sete meses, houve um grande aumento na procura por grandes construtoras. São Bernardo virou um canteiro de obras. Estou operando na capacidade máxima”, diz. A Urbem processa 400 toneladas /dia de entulho, com o que produz areia, brita, rachão e bica corrida, vendidos a R$ 25/m³(retirado na empresa. O frete fica em torno de R$ 6). “Esse valor é 30% menor do que o agregado natural”, diz. O investimento para implantação da usina foi de R$ 1 milhão.

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