31/01/2011

Preocupação com o ambiente invade a construção civil

Preocupação com o ambiente invade a construção civil

Fonte: Revista do ZAP

Setor ainda engatinha quando o assunto é transformar o canteiro de obras em um espaço com menos impacto para a vizinhança e para o planeta

O aumento recente da renda dos brasileiros tem sido um impulsionador da construção civil. Novos prédios e casas pipocam por todos os lados das cidades das grandes e das pequenas. Nas áreas nobres, o número de empreendimentos certificados também aumenta. Somente o Green Building Council Brasil, que fornece o selo LEED (Leadership in Energy Environmental), um dos mais conhecidos do setor de construções verdes, emitiu 23 certificados para empreendimentos brasileiros até 2010. Esse número coloca o país na quinta posição do ranking mundial.

Ainda assim, certificar não é o único caminho para a redução do impacto. Pequenas ações e mudanças na forma de construir podem fazer com que o canteiro de obras deixe de ser um espaço de desperdício. A retirada de materiais da natureza, como a areia, e a produção de resíduos, como o entulho das demolições, são questões que podem ser minimizadas. O fator determinante nesse contexto, de acordo com o engenheiro civil e professor da PUCRS Jairo Andrade, é o planejamento.

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Um projeto bem elaborado e calculado pode dar destino correto ao lixo produzido e fazer com que materiais pré-fabricados reduzam o desperdício de tijolos, cimento e gesso, por exemplo. Mesmo custando um pouco mais, os pré-moldados também podem ser montados de forma mais rápida e, assim, reduzir a duração da obra. E menos tempo no canteiro de obras é sinônimo de menos ruído para a vizinhança.

Na busca por novas formas de construir, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia da USP – São Carlos está testando o uso de tubos de papelão reciclado em paredes verticais. O motivo do engajamento é claro para a arquiteta e doutoranda da USP Gerusa Salado:

– Sabemos que a construção degrada o ambiente, tanto na demolição quanto na extração de materiais do ambiente.

Ainda assim, José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio/SP, entende que, quando o tema é racionalização da construção, o país ainda deve percorrer um longo caminho de aprimoramento.

Para estimular o desenvolvimento de construções com mais qualidade e menos impacto, o banco Santander desenvolveu o programa Obra Sustentável, que incentiva construtores a adorar práticas socioambientais positivas no projeto e execução da obra. Entre os aspectos avaliados pelo programa estão exatamente a reutilização, a redução dos produtos consumidos e a reciclagem de materiais.

Uma boa construção
Reduzir o impacto nas construções passa por dois fatores principais, a diminuição dos resíduos produzidos e do desperdício de materiais. As duas questões estão muito próximas e é isso que faz com que as soluções incluam, de uma forma ou de outra, o material utilizado.

Ainda assim, especialistas como o professor Jairo Andrade, engenheiro civil do curso de Engenharia Civil da PUCRS, colocam o planejamento como grande agente na redução do impacto.

– Uma obra bem planejada utiliza melhor os materiais comprados e, assim, reduz o que vai para o lixo – afirma Andrade.

O uso de materiais pré-fabricados, como paredes, lajes e vigas, é uma solução interessante para a questão do desperdício. Como funcionam a partir do processo de encaixe, esses materiais têm instalação rápida e costumam não produzir resíduos. Embora muito utilizados em prédios comerciais e industriais, os pré-moldados não foram adotados por completo quando a construção é residencial.

Para o engenheiro civil e diretor da Sudeste Pré-Fabricados, Fabio Casagrande, a resistência no uso de pré-moldados pode estar ligada a dois fatores: preço e falta de informação.

– Muitos ainda pensam que o pré-moldado é um material inferior, o que não é verdade – afirma Casagrande.

Andrade reforça que a construção civil tem um tempo próprio para evoluir e, talvez, por esse motivo os materiais pré-fabricados não sejam uma realidade em muitos canteiros de obra. Mesmo assim, o engenheiro civil e professor da Universidade Nove de Julho de São Paulo, Salomon Levy, é otimista:

– O setor evoluiu nos últimos anos, e a consciência ambiental, que cresce, também deve fazer com que novos materiais sejam assimilados pouco a pouco. Construções residenciais ainda resistem à utilização de estruturas pré-moldadas.

Parede feita de papelão
Pensando na redução do entulho nas obras e no reaproveitamento de materiais, um grupo de arquitetos e engenheiros da USP – São Carlos está testando uma nova matéria-prima: o papelão. Há quatro anos em estudo, o projeto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia quer possibilitar que uma nova opção chegue ao mercado da construção civil.

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Há três meses, uma construção experimental foi instalada na universidade para testar a viabilidade técnica do material. A pequena casa é feita com tubos de papelão e, até agora, tem apresentado resultados positivos. A ideia é que o material possa substituir paredes internas e externas de prédios comerciais ou residenciais. Em testes já realizados, um metro linear do material mostrou suportar até cinco toneladas.

– Os testes durarão dois anos, mas a ideia é que o papelão substitua a alvenaria tradicional, incluindo aço, madeira e vidro – esclarece a arquiteta e doutoranda da Escola de Engenharia de São Carlos, Gerusa Salado.

Para ela, um dos motivos que fazem da construção civil um setor de impacto é a extração de matéria-prima da natureza. Por isso, o fato do papelão testado na USP ser produzido com papel reciclado conta a favor. A possibilidade de montar e desmontar as paredes também faz com que o modelo viabilize, de alguma forma, a reutilização.

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