05/09/2011

Prestação da casa própria é menor para os mais jovens

Fonte: O Estado de S. Paulo

Consumidores com até 35 anos já representam 57% dos financiamentos de imóveis da Caixa em 2011

(Foto: Divulgação)
Compradores com até 35 anos estão ganhando cada vez mais espaço no mercado imobiliário (Foto: Divulgação)

Quanto mais jovem o consumidor comprar sua casa própria, menor será o valor da prestação, resultado de um seguro de morte ou invalidez permanente mais barato. E essa fatia de compradores com até 35 anos vem ganhando cada vez mais espaço no mercado imobiliário devido a melhora das condições do crédito, aumento do emprego e renda. Segundo os especialistas, essa faixa etária desperta interesse pelo seu potencial de crescimento profissional e consequente aumento da renda.

Simulação feita no site da Caixa Econômica para um imóvel de R$ 200 mil financiado em 360 meses mostra que o valor do seguro na primeira prestação é de R$ 35,62 para uma pessoa com 45 anos e uma renda familiar de R$ 4 mil. Já o seguro para uma pessoa de 25 anos cai para R$ 13,13 na mesma situação. Isso ocorre porque o valor do seguro está atrelado à idade do comprador: quanto mais jovem, menor o risco, na teoria.

Quanto à crescente parcela de jovens na compra da casa própria, o professor Antonio Claudio Fonseca, da Faculdade de Arquitetura na Universidade Mackenzie, aponta o mercado de trabalho como principal fator. Isso porque está mais fácil ser contratado e permanecer no emprego, o que possibilita ao consumidor assumir prestações de longo prazo.

Outro ponto é a melhora das condições do financiamento – com juros mais baixos e prazos maiores. O professor destaca os apartamentos com dois dormitórios com metragem entre 46 e 52 metros quadrados como preferidos da faixa etária jovem, mas com poder aquisitivo ainda limitado. Como o fator preço pesa na hora da escolha, os imóveis localizados no entorno da cidade de São Paulo, como Guarulhos, Taboão da Serra e Osasco chamam a atenção desses compradores.

É justamente em uma dessas cidades que está localizado o imóvel comprado pela assistente editorial Carolina Hidalgo Castelani, de 27 anos, e pelo publicitário Igor Rezende Ferreira, 28 anos este ano. Devido aos altos preços na capital, a saída foi comprar um imóvel em Guarulhos, que tem previsão de entrega para fevereiro de 2012. O imóvel de R$ 114 mil foi financiado em 300 meses.

O trajeto de carro da casa dos pais na Penha, onde mora atualmente, até a nova casa, é feito em 15 minutos de carro, situação que pesou na hora da escolha. “É pequeno, tem 44 metros quadrados. Pretendemos morar lá uns cinco, sete anos. Depois, idealizo morar em uma casa”, conta Castelani.

Mais jovens – No Banco do Brasil, os compradores com até 30 anos representavam 8,59% do total dos financiamentos feitos em 2010. Neste ano, o número já alcança 11,39%.

No caso da Caixa, a faixa etária de até 35 anos representa a maioria dos compradores. Em 2001, respondiam por 50,2% dos financiamentos. Já em 2011, o número está em 57,3%, pouco abaixo do ano passado (59,2%).

Na avaliação do gerente regional da construção civil da Caixa, Nédio Henrique Rosselli Filho, o mercado é mais aquecido no segundo semestre. Por isso, ele acredita que esse porcentual deve se aproximar do registrado em 2010.

“Cada vez mais os jovens se preparam mais cedo para o futuro e buscam a compra da casa própria”, afirma Cláudio Borges, diretor de crédito imobiliário do Bradesco, que registra 36,40%dos financiamentos para compradores entre 25 e 35 anos.

A situação também é positiva nas imobiliárias. A Itaplan, por exemplo, registrou um aumento de 22% nas vendas para clientes com idade entre 25 e 32 anos no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2010.

Segundo o diretor da imobiliária e diretor de marketing e lançamentos do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Fábio Rossi, quando o jovem pensa em sair da casa dos pais, ele vê que a diferença de preços entre o aluguel e o valor da prestação é pequeno. “Eles buscam imóveis com boa localização, de fácil acesso, e com facilidades dentro do próprio condomínio, como uma academia”, pontua o especialista.

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