11/02/2010

Primeira prévia do IGP-M no mês é a maior em 19 meses

Fonte: Estado de S. Paulo

Índice de 0,98% é três vezes maior do que a taxa de janeiro, de 0,27%

Índice é muito usado para reajustar preços de aluguel  (Foto: Verônica Lima)
IGP-M é muito usado para reajustar preços de aluguel (Foto: Verônica Lima)

Pressionada por acelerações de preços no atacado, varejo e construção civil, a primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) atingiu em fevereiro o mais elevado nível em 19 meses, com alta de 0,98%, três vezes acima da taxa apurada em igual período em janeiro (0,27%). O índice é muito usado para reajustar preços de aluguel. Os destaques de elevação de preços ficaram por conta dos derivados da cana, que ajudaram a puxar para cima a inflação no atacado e no varejo.

O avanço na taxa da primeira prévia de fevereiro, que abrange preços coletados entre 21 e 31 de janeiro, foi visto com cautela pelo mercado. O analista da consultoria Tendências Gian Barbosa revisou para cima as projeções do fechamento do índice para fevereiro, de 0,3% para 0,95%, o que apontaria aceleração expressiva em relação à taxa de janeiro (0,63%). A consultoria também elevou ontem as projeções para o IGP-M de 2010, de 3% para 4%.

O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e responsável pelo cálculo do indicador, Salomão Quadros, preferiu não fazer projeções. Ele comentou que, mesmo com a primeira prévia do índice mostrando alta de 0,98%, não é possível dizer que vai encerrar o mês acima de 1%.

A primeira prévia de fevereiro abrange coleta de preços entre 21 e 31 de janeiro. Com os preços dos derivados da cana em alta, a inflação atacadista, que representa 60% do indicador, disparou (de 0,25% para 1,16%) de janeiro para fevereiro. “Os três setores, atacado, varejo e construção civil, influenciaram a alta de preços na primeira prévia, mas o setor atacadista contribuiu mais na formação da taxa, por ter peso maior.”

Na lista das cinco elevações de preço mais expressivas no atacado, quatro são relacionadas à cana. É o caso de açúcar cristal (23,81%); álcool etílico anidro (15,53%); cana-de-açúcar (3,54%): e açúcar refinado (18,37%). Segundo Quadros, a demanda por cana e seus derivados tem aumentado progressivamente desde meados do ano passado, após a quebra da safra de açúcar na Índia.

No varejo, a inflação também deu um salto (de 0,4% para 0,75%), ainda pressionada pelo recente reajuste em ônibus urbano em São Paulo. Mas o cenário do mercado da cana no atacado também influenciou o comportamento de combustíveis junto ao consumidor. É o caso de álcool combustível (de 2,18% para 9,36%); e gasolina (de 0,75% para 1,25%), que tem 20% de álcool em sua composição.

Já os preços na construção também aceleraram (de 0,07% para 0,41%), por causa do quadro mais aquecido no setor – o que puxou para cima materiais, serviços e mão de obra.

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