03/09/2006

Procura cresce em todas as classes

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com pacote habitacional do governo, haverá estímulo para urbanização de lotes populares no entorno de SP

Crédito para aquisição de terras e criação de loteamentos com recurso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é uma das medidas previstas no pacote habitacional que deve ser anunciado pelo governo federal na próxima quinta-feira, dia 5.

Conforme fontes do mercado que participam das negociações com o governo, se for confirmada, a ação deve estimular incorporadores a urbanizar áreas periféricas e, assim, consolidar uma tendência imobiliária recente: a fuga dos grandes centros urbanos.

No entorno de São Paulo, esse movimento já é forte. Regiões como Tamboré, Alphaville, Granja Viana, Barueri, Itapevi, Itupeva, Jundiaí, Embu atraem grande número de loteamentos.

O custo da instalação da infra-estrutura de rede de esgoto, luz e gás fica a cargo dos incorporadores. Depois, os equipamentos são doados à Prefeitura para que se faça a distribuição das redes. Como os gastos são os mesmos, independentemente do perfil do loteamento, muitos incorporadores preferem lançar unidades de alto padrão. “Infelizmente estão fugindo do popular”, afirma Gladson Cantalice, diretor da incorporadora de loteamentos Acisa, que está no mercado desde 1973.

Com a nova medida do governo, a urbanização de lotes para famílias com renda mais baixa deve aumentar, já que a demanda vem de todas as classes. De acordo com Cantalice, a procura tem aumentado. “Cresceu 30% no primeiro semestre em relação ao ano passado para loteamentos de alto padrão e 40% para os populares.”

Para o presidente da Associação Associação das Empresas de Loteamento (Aelo), Luiz Eduardo de Oliveira Camargo, há muito espaço no mercado para o produto. “Haverá sempre grande aceitação entre os paulistanos.”

Estímulos

O principal motivo para o aumento da procura por lotes mais distantes é a escalada da violência. “O paulistano não tem segurança na cidade. Todos têm muito medo, mesmo os que moram em apartamento”, afirma.

O crescimento dessas áreas acompanha o desenvolvimento e melhoria das rodovias. “Toda região ao redor de São Paulo que seja servida de boas estradas e Rodoanel tem boa demanda”, afirma Camargo.

Segundo ele, cidades ligadas à capital pelas rodovias Castelo Branco, sistema Bandeirantes-Anhangüera, Raposo Tavares, Fernão Dias e Dutra tendem a registrar aumento de ocupação. “Com exceção da região Sul do Estado, que tem acesso ainda ruim pela Régis Bittencourt”, observa. A previsão é de que quando as obras do Rodoanel estiverem completas haverá outra explosão de loteamentos nas cidades próximas a São Paulo.

 

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