08/04/2009

Produção da linha branca teve queda de 10%

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para fabricantes, redução do IPI para eletrodomésticos virá em boa hora

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisIPI virá em boa hora para a indústria de eletrodomésticos da chamada linha branca

Se confirmada pelo governo, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) embutido nos preços dos eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeiras, fogões e lavadoras) virá em boa hora para a indústria. Entre outubro de 2008 e fevereiro deste ano, o impacto da crise financeira mundial fez a produção da linha branca cair 10% em relação ao período de outubro de 2007 a fevereiro de 2008. Os dados são da produção industrial apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além da retração dos últimos meses, os analistas projetam um ano muito ruim para o setor, por causa da conjuntura desfavorável. Eles dizem que a perspectiva é de manutenção do quadro de spread bancário (diferença entre a taxa de captação e a de empréstimo) elevado e de oferta restrita de crédito ao setor privado e às famílias. Os economistas acreditam também na redução do prazo de financiamento ao consumidor, aumento modesto da massa real de salários e maior inadimplência das famílias. Ao que tudo indica, a recuperação do mercado ainda estaria longe.

“Se o governo não conceder nenhum incentivo, a produção dos itens da linha branca deverá apresentar queda ao redor de 6% este ano”, estima o economista Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores.

Embora animadas com a possibilidade de receber socorro do governo, as indústrias do segmento preferem não fazer comentários enquanto a redução do IPI não for anunciada oficialmente pelo governo.

Os sindicalistas também torcem para que o pacote de benefícios seja aprovado. “Vai ajudar a girar a roda da economia a favor do que os trabalhadores desejam”, diz Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Para Torres, no entanto, o governo deve exigir contrapartidas das indústrias, como a manutenção do emprego. Outra seria o compromisso de utilizar matérias-primas e insumos nacionais. “Se deixar, elas trazem tudo da China para montar aqui, gerando empregos lá fora”, diz o sindicalista.

No varejo, o clima também é de expectativa. As Casas Bahia, maior rede de varejo de móveis e eletrodomésticos do País, tiveram queda de 6% no faturamento do primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2008. Na semana passada, Michael Klein, diretor administrativo e financeiro da rede, disse ao Estado que contava com a sinalização do governo de redução do IPI para reverter esse quadro. “Os bens duráveis mais básicos, como geladeira de uma porta, devem ter um incentivo fiscal”, defendeu Klein.

Por outro lado, o economista Aloisio Campelo, da Fundação Getúlio Vargas, diz que a eventual redução do IPI para itens da linha branca pode ter efeito bem aquém do alcançado com o corte do imposto para os automóveis. Para ele, medidas como esta em sequência tendem a reduzir o impacto. (Colaborou Irany Tereza)

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