04/11/2009

Profissional explora materiais de diferentes texturas e tons em projeto de casa com espaços limpos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mauricio Queiroz explora materiais de diferentes texturas e tons em projeto de casa com espaços limpos

A casa vista do lado de fora. Brises de madeira ao longo da construção lateral dão privacidade e controlam a entrada da luz (Fotos de Zeca Wittner)
A casa vista do lado de fora. Brises de madeira ao longo da construção lateral dão privacidade e controlam a entrada da luz (Fotos de Zeca Wittner)

Faça o que achar melhor, nos dê a sua versão. Com essa carta branca dos donos, o arquiteto Mauricio Queiroz idealizou uma morada em harmonia com o entorno e raro apreço pelos detalhes. O casal, que já vivia na propriedade havia 18 anos, desejava reunir os filhos e netos nos fins de semana e, para tanto, queria ampliar a área construída com alas modernas e ambientes de entretenimento. Toda a estrutura antiga foi posta abaixo, com exceção do living e da cozinha – e havia uma razão para isso. “Fiz questão de preservar os vigamentos do telhado; é uma parte notável da casa”, ressalta o arquiteto.

Seguindo a mesma linguagem construtiva, o home theater ganhou cobertura aparente de madeira com revestimento de palhinha. Portas de correr envidraçadas se abrem para o amplo terraço com vista para o bosque do condomínio. “Antes, a casa era toda voltada para a rua, mas é a parte dos fundos que tem a paisagem mais bonita”, observa Mauricio. Assim, o escritório/ateliê e três dos cinco dormitórios foram erguidos na parte de trás da residência. Para destacar a vista privilegiada, terraços e varandas têm guarda-corpos de diferentes materiais e desenhos, como madeira vazada e vidro. “Até pelas novas dimensões do projeto, com 2,8 mil m² de área útil, a arquitetura não podia ser monótona. Os elementos são diferentes, mas não dissonantes; eles se relacionam um com o outro”, salienta o profissional.

VIDRO, PEDRA E MADEIRA – A riqueza de texturas também revela o caráter pluralista da morada. Na área anterior à escada externa, que conduz ao deck, o piso de fulgê (Pedras Bellas Artes) acentua as réguas de madeira cumaru dos degraus (Aroeira), fazendo contraste com a parede de pedra moledo em frente. Com uma grande abertura de vidro, a parede contígua permite vislumbrar uma das escadas internas, também de madeira. “Meu objetivo era produzir espaços limpos com diferenças sutis de tons, texturas e medidas”, diz o arquiteto. Próxima ao pé da escada, uma corrente desce a partir do telhado do quarto andar, onde foi feito um pequeno buraco que serve para escoar a água das chuvas. A corrente metálica substitui o tradicional tubo fixado na parede e desce até o solo, no nível inferior ao deck, produzindo um belo efeito com a queda d’água.

Em meio à predominância da madeira (piso e guarda-corpos, entre outros) e pedras em tons neutros, o muro revestido de pastilhas de vidro azuis (Vidrotil) traz vivacidade inesperada ao terraço principal. A estrutura de 3,5 m de altura faz parte da piscina suspensa, instalada na frente da academia de ginástica. Como uma delicada cascata ao longo do muro, o tanque tem um sistema de bombas que faz a água cair e a recolhe depois para os filtros, devolvendo-a novamente à piscina. Esta ganha contornos de espelho d’água à noite, com a iluminação subaquática em tom azul (Lock).

“Queria uma morada não óbvia, mais do que uma construção moderna”, diz o arquiteto paulistano, de 39 anos. “Procurei instigar sensações por meio dos espaços criados.” Esse cuidado pode ser atribuído, em parte, à sua experiência em uma agência de publicidade, onde fazia cenografia, entre outras atividades, antes de se formar no Mackenzie. Algum tempo depois, na Espanha, trabalhou com Isaac de Mapasa, vencedor do concurso de comunicação visual dos Jogos Olímpicos de 1992. “Fui o coordenador da equipe de design visual dos estádios”, lembra Mauricio, cujo escritório de arquitetura faz projetos residenciais e comerciais, incluindo obras na Espanha, Portugal e Angola.

AR CENOGRÁFICO – Exemplos dessa visão multifacetada não faltam na casa, concluída em 2007. Na área social, o corredor que une o living à sala de jantar tem um pé-direito baixo, de 2,20 m, e o arquiteto aproveitou essa característica para dar-lhe a atmosfera de um túnel, revestindo paredes e piso com mármore travertino bruto (Mont Blanc). “A ideia era criar mais do que uma simples passagem e dar-lhe um ar cenográfico, especialmente com a iluminação do piso, que destaca os relevos da pedra”, diz Mauricio.

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