01/09/2009

Projeto apresenta apart-hotel feito com materiais alternativos e de fácil desmonte para o Centro do Rio

Fonte: O Globo

Rio de Janeiro – A falta de espaços para construção de novos empreendimentos na região central do Rio de Janeiro motiva especialistas a propor novos usos aos chamados vazios urbanos, terrenos ociosos ou subutilizados. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o grupo de pesquisa “Vazios Urbanos da Área Central do Rio de Janeiro”, é coordenado por Andréa Borde, desenvolve estudos que repensam essas áreas. Exemplo disso é o apart-hotel sustentável e desmontável, desenvolvido pelo arquiteto Fagner Marçal, sob orientação de Andréa e Flávia de Faria, para ocupar um terreno na Avenida Presidente Vargas. O projeto começou a ser desenvolvido como trabalho de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e hoje está inserido na linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB).

“O Centro é o bairro do Rio que passou por um maior número de transformações urbanas que visavam dotar a cidade de novos usos e atividades de cada momento histórico. Este contínuo o processo de transformação do ambiente construído gerou, por vezes, vazios urbanos. O terreno escolhido atualmente é um vazio urbano, um espaço subutilizado como estacionamento rotativo em uma área extremamente bem infra-estruturada (transportes públicos, comércio e serviços, equipamentos urbanos e culturais, entre outros). A manutenção da subutilização deste terreno contribui para o agravamento da desigualdade no acesso à cidade”, diz o arquiteto Fagner Marçal.

A proposta de apart-hotel vem atender a forte demanda pelo uso residencial no Centro, constatada pelo grupo de pesquisa, e é destinada a estrangeiros, estudantes de outros estados, autônomos ou turistas, que necessitam ficar na cidade por períodos que variam de 1 a 12 meses e que não podem fazer contratos formais de locação de apartamentos por diversos motivos: por não possuírem fiadores na cidade, por necessitarem pagar um alto valor de seguro para locação do imóvel ou ainda, os apartamentos são grandes demais para suas necessidades individuais, o que eleva o valor do aluguel
 
O projeto que ocupa quatro lotes da avenida Presidente Vargas, entre a Avenida Passos e a Avenida Tomé de Sousa, na área conhecida como SAARA, apresenta uma área total construída de 8.236m2 e oferece 245 apartamentos, 49 salas comerciais e 335 vagas para veículos que mesmo quando privadas podem ser revertidas para estacionamentos rotativos. A proposta em estrutura de aço apresenta soluções alternativas de materiais e sistemas de captação de água e energia para reduzir os gastos dos moradores assim como os impactos ambientais. O apart-hotel conta com calçada permeável, através de um sistema que capta água pluvial, telhas, divisórias e rebaixos feitos da reciclagem de caixas de longa-vida, escadas de alumínio reciclado e lajes pré-fabricadas revestidas com jeans e colchões velhos para isolamento acústico dos apartamentos.

“As unidades são compostas por apartamentos individuais com área média de 30m2, produzidas com material reciclado e reutilizável o que, permite conforto térmico e acústico excelente, dispensando o uso de energia elétrica. As unidades permitem alteração do layout interno, através de um sistema de montagem/desmontagem de forma rápida e, pode funcionar de acordo com a necessidade de ampliação do espaço podendo acomodar um único indivíduo como, também, pode ser ajustado para acomodar grupos de até 4 pessoas por apartamentos”, explica Fagner Marçal.

A estimativa é que a locação de cada unidade varie em torno de R$ 170,00 a R$ 550,00, valor situado entre o ganho mínimo mensal com uma vaga de estacionamento rotativo e o valor do aluguel médio de uma sala/apartamento comercial nesta área da cidade.

O resultado arquitetônico do projeto procurou atender às exigências normativas da prefeitura como também corresponder às atuais expectativas de mercado, já que os terrenos subutilizados como estacionamento na cidade, normalmente possuem um contrato de até 10 anos entre o locatário (que gerencia o estacionamento rotativo) e, o locador (real proprietário do terreno). A estrutura em aço e os componentes pré-fabricados projetados permitem o desmonte do edifício após o fim do contrato e posterior devolução do terreno ao proprietário.As peças da edificação podem ser revendidas ou reutilizadas em outra construção.

O empreendimento, de arquitetura arrojada, tem, no entanto, sua construção barateada por utilizar materiais provenientes de reciclagem e reuso. O projeto é lucrativo para o empreendedor e, também, para a cidade.

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