16/08/2012

Projeto de estudantes usa embalagens para vedar casas de famílias carentes

Projeto de estudantes usa embalagens para vedar casas de famílias carentes

Fonte: Revista do ZAP

Iniciativa de alunos da Feevale ameniza efeitos de temperaturas extremas em Novo Hamburgo

As casas de madeira de uma vila de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, estão recebendo um reforço contra o frio e contra o calor. Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Feevale desenvolveram um projeto no qual transformam embalagens de leite em placas para serem aplicadas nas paredes e no teto das casas de famílias carentes, amenizando os efeitos de temperaturas extremas.

Leonardo Rosa, Universidade Feevale / DivulgaçãoCerca de 1,2 mil embalagens já foram aplicadas em casas do loteamento Kephas, no bairro Diehl

No caso do calor, estudos mostraram que casas com o forro feito com as embalagens longa vida têm a sua temperatura reduzida em 5% nos dias quentes. Já para atenuar o frio do inverno, os alunos aplicam as mesmas placas nas paredes, vendando as casas contra a entrada do vento gelado.

“Ainda no ano passado começamos a estudar materiais alternativos e de baixo custo para serem usados em casas de comunidades carentes. As caixas de leite se mostraram extremamente úteis e optamos por elas”, explica a professora Alessandra Brito, coordenadora do projeto chamado de Mãos à Obra.

Uma campanha realizada entre alunos da universidade reuniu mais de 2,5 mil embalagens. Metade delas já foi transformada em placas e aplicadas em casas do loteamento Kephas, no bairro Diehl. O restante será usado em uma outra ação, que deve ocorrer na próxima semana.

“Nosso objetivo é melhorar a vida dessas famílias, que vivem em uma situação extremamente precária. Também estamos ensinando os moradores para que eles próprios possam revestir o restante das casas”, lembra a professora.

Cinco alunos e três professores estão participando do projeto. Na primeira fase, os estudantes estão priorizando a aplicação das placas nos quartos das casas. Revestir a residência inteira é um processo demorado, e que diminuiria o número de famílias beneficiadas. Até agora, 12 casas foram revestidas, e a tendência é de que esse número aumente ao longo do ano.

Testes
Para analisar a eficiência do uso dos revestimentos feitos a partir das embalagens, os estudantes estão montando uma pequena vila, com reproduções das casas. Hoje, algumas das pequenas residências receberão as placas e outras, não. Sensores térmicos irão apontar as variações na temperatura em cada ambiente. “Estamos trabalhando em pesquisas para aprimorar as placas, melhorando a eficiência delas contra o frio e o calor”, ressalta Brito.

Como são feitas as placas

— Caixas de leite são abertas e têm a parte de cima e a de baixo cortadas. +A caixa inteira é dividida em duas, com um corte na emenda.

— As lâminas são limpas e colocadas para secar.

— Com um grampeador, ou com uma máquina de costura, as caixas são unidas, formando um placa.

Dica

— Na aplicação em paredes, a parte interna das embalagens deve ficar voltada para fora. Isso evita que a água da chuva molhe a parte de fora.

— As caixas devem ser fixadas se sobrepondo uma à outra. No momento da aplicação deve-se cuidar para que as emendas estejam no sentido do caimento da água, para que ela não penetre.

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