02/10/2008

Projetos de iluminação valorizam a decoração dos ambientes

Fonte: Globo online

Uma iluminação ruim pode destruir um ambiente

Zap o especialista em imóveisProjeto da arquiteta Jacira Pinheiro conta com rasgos no teto criando iluminação difusa, uma tendência que vem agradando

Rio – “A arquitetura é melodia e a luz, a harmonia” – Essa é a definição do alemão Peter Gasper, radicado no Brasil há 50 anos, lighting designer, sócio fundador da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação, responsável pela iluminação de diferentes projetos como o da barragem de Itaipu, em Foz do Iguaçu; a Marquês de Sapucaí, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, e a iluminação de Natal no Morro do Pão de Açúcar. Ele também faz projetos de iluminação em teatros e residências. Para ele, não há dúvidas de que uma iluminação ruim pode destruir um ambiente, assim como um bom projeto de luz pode não só destacá-lo, como revelá-lo.

A iluminação é capaz de construir ou desconstruir uma cena, seja ela no palco ou numa residência – afirma Gasper, que costuma aplicar técnicas usadas no teatro dentro das residências.

A tendência atual dos projetos de iluminação, segundo ele, são os rasgos nos tetos e paredes onde são colocados diferentes tipos de fontes de luz. Ele alega que o freqüente uso das lâmpadas dicróicas embutidas já está batido.

O que está na moda agora é totalmente oposto ao que vinha sendo usado. Com os rasgos, o resultado é de uma luz mais difusa e alegre. Já com as dicróicas embutidas, o resultado é uma iluminação mais focada e sombria, explica Gasper.

Como prova da atual tendência, ele aponta a mostra Casa Cor Rio 2008, onde, há muitos ambientes com rasgos nos tetos, nas paredes, nos armários onde foram colocados diferentes tipos de lâmpadas. 
 
Ele defende o uso do dimmer, onde é possível controlar a intensidade da luz, conforme a necessidade específica do usuário de cada ambiente da casa e da situação específica. É possível criar jogos de luz, preparando o ambiente para o encontro com os amigos, para um clima romântico ou algo mais funcional como na sala de jantar, que dê destaque aos pratos, pode ser controlada pelo dimmer. Uma criança, por exemplo, precisa de intensidade de luz menor que um adulto. Já uma pessoa com idade avançada necessitará de intensidade bem mais alta que um adulto na faixa dos 30 anos. Gasper também acredita no futuro dos Leds, (Diodo Emissor de Luz) que quando energizado emite luz visível.

Entre as vantagens, apesar de ainda custarem aproximadamente quatro vezes o valor de uma lâmpada dicróica, os Leds são mais econômicos, não geram calor, não emitem raios ultravioleta, não dão choque, mantêm-se frios, resistem a impactos, têm longa durabilidade e são considerados lixo comum. Enquanto uma lâmpada dicróica, por exemplo, consome 50W, um Led consome 1W. Também dura entre 80 mil e 100 mil horas, o que equivale a 90 anos, se ligado três horas por dia.

A lighting designer chinesa Chean Hsui, da loja La Lampe, também acredita na evolução dos Leds. Ela diz que ele não substitui a lâmpada porque traz um resultado muito frio: “”””””””a luz branca e pálida não traz aconchego “””””””” . Avalia como um equipamento interessante para ser usado como balizadores e para criar efeitos, valorizando algo específico da arquitetura. Ela considera o Led útil como iluminação complementar. Em linhas gerais, Chean explica que a iluminação se divide em dois tipos: a geral e a dirigida. No caso da geral , ela pode ser direta, com fontes de luz visíveis, como os abajures; ou indireta, com luminárias que usam tetos e paredes como refletores, resultando numa luz difusa.

Chean ressalta que os abajures oferecem luz horizontal, o que favorece bastante os ambientes sociais, porque não deixa sombra nas faces das pessoas e não evidencia as imperfeições. A iluminação proporcionada pelos abajures é eficiente porque espalha e a luz sem ofuscar, mas também pode chapar o ambiente, quando usada sozinha. Na iluminação dirigida, o objetivo é mais específico como luminárias de piso para leituras, ou a de destaque, para iluminar quadros, esculturas e estantes. Os equipamentos ideais são spots direcionáveis e uso de lâmpadas dicróicas.

Uma dica geral é que a iluminação que favorece as pessoas não é bacana para destacar a arquitetura e os quadros. E aquelas que são indicadas para as obras, não favorecem as pessoas – afirma Chean.

Ela ressalta que com o avanço da tecnologia o ideal é combinar as funções de cada tipo de iluminação, ajustando-a adequadamente para cada situação.

Na sala de estar, vale ter em mente que o espaço é usado para funções diversas, mas deve sempre ser confortável e aconchegante. Por isso, é bacana buscar equilíbrio entre uma iluminação geral e de destaque em conjunto com um sistema de dimerização – afirma Chean.

O lighting designer Valmir Perez, pesquisador da Unicamp, alerta que cada família necessita de um projeto específico, conciliando a avaliação técnica seguindo as normas regulamentadoras, os cálculos luminotécnicos, os hábitos da família e, certamente, a estética para cada solução. Destaca que é necessário ter cuidado com os modismos, pois, em geral, surgem por meio dos interesses das indústrias e empresas que revendem determinados produtos. Muitas vezes, a iluminação feita com sancas, por exemplo, são insuficientes para a leitura.

Já as lâmpadas fluorescentes tubulares e compactas, apesar de serem, mais econômicas, emitem raio ultravioleta, podendo causar câncer de pele nas pessoas que passam muitas horas nos ambientes com esse tipo de lâmpadas e sem o uso de protetor solar. Na composição das fluorescentes, há ainda metais pesados como o mercúrio, que contaminam os lençóis freáticos. Dados da Associação Brasileira de Iluminação informam que no Brasil são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tipo de tratamento, contaminando o solo e a água com metais pesados.

Perez ressalta que cada lar necessita de projeto de iluminação personalizado de acordo com as necessidades da família.

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