21/08/2017

Quais são as soluções para comunidades carentes tenham acesso à inclusão digital

Desafio é que todos tenham acesso às tecnologias para garantir uma boa relação da população com a cidade e mais qualidade de vida

Fonte: ZAP em Casa

Tendência que se constrói atualmente para o cenário global é a de construção e transformação das cidades para que elas se tornem mais inteligentes. A tecnologia é uma aliada para que a população consiga interagir de forma mais saudável e firme com a cidade, trazendo melhorias significativas em diversas áreas, seja econômica, da saúde, educação, cultura, sustentabilidade, entre outras. Mas a ideia de tornar a cidade mais tecnológica só tem funcionalidade se a população realmente tiver acesso ao que está sendo implementado. Porém, nos países em desenvolvimento, com uma parcela da população mais carente, afastada dos grandes centros e com dificuldade de acesso à educação, revela-se um desafio: como incluir a todos nessa nova era digital e se beneficiar de uma melhor qualidade de vida que a tecnologia pode proporcionar?

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Conectar uma cidade de uma forma eficaz não implica apenas em trazer soluções tecnológicas se elas não conseguem ser alcançadas pela população. “Nos países em desenvolvimento, existem cidades que não atingiram nem o básico. O Brasil tem muita coisa para fazer. Um aplicativo ou software é um agregado, mas não resolve os problemas”, afirma Francisco Cunha, formato em Arquitetura e Urbanismo e sócio da TGI Gestão e Consultoria.

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Conectar uma cidade de uma forma eficaz não implica apenas em trazer soluções tecnológicas se elas não conseguem ser alcançadas pela população (Foto: Shutterstock)

Ainda que os conceitos de inovação urbana sejam para levar melhorias para a população como um todo, nem sempre isso é alcançado. “Ela é para determinadas cidades e grupos sociais. As cidades podem ser conectadas, mas podem estar marginais. Uma coisa é estar conectada e outra bem diferente é influenciar na conectividade e, para isso, precisa atingir muita gente. A tecnologia sozinha não tem capacidade e exclui muita gente”, explica Clóvis Ultramari, professor arquiteto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

A questão no Brasil, especificamente, é que o país tem uma diferença grande quando o assunto é renda e nível de educação. “Existe o problema do distanciamento físico, de comunidades mais carentes estarem mais afastadas dos grandes centros urbanos, mas também existe o distanciamento em relação à renda e às oportunidades, que são impedimentos de caráter social. E a inclusão social é elemento fundamental para a melhoria”, afirma James Wright, professor de Estratégia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Profuturo-Fia.

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Ainda que os conceitos de inovação urbana sejam para levar melhorias para a população como um todo, nem sempre isso é alcançado (Foto: Shutterstock)

Para André Gomyde, presidente da Rede Brasileira de Redes Inteligentes e Humanas, os governos precisam estender a infraestrutura tecnológica para as áreas mais carentes. “É a questão da literracia digital, que precisa ser trabalhada nas comunidades de baixa renda. As pessoas precisam se apropriar da tecnologia para ser algo natural de dentro para fora”, diz. James Wright defende que é preciso fornecer ferramentas para o sistema de educação e qualificação com acesso de professores e alunos a conteúdos de qualidade para, assim, gerar mais oportunidades.

As comunidades periféricas já buscam alternativas para usar a tecnologia em prol de uma melhor qualidade de vida. O bairro de Brasilândia, na periferia de São Paulo, não recebe o serviço da Uber por questões de segurança. Por conta disso, foi criada a Ubra, União de Brasilândia, que atende a comunidade de forma mais simples com o serviço que conecta motoristas a passageiros. Outras comunidades buscam alternativas para a falta de agências bancárias com a instalação de bancos locais e moedas próprias, como é o caso de São João do Arraial, no Piauí, Cariacica, no Espírito Santo, e até mesmo algumas comunidades da periferia carioca adotaram o sistema, como a Cidade de Deus.

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As comunidades periféricas já buscam alternativas para usar a tecnologia em prol de uma melhor qualidade de vida (Foto: Shutterstock)

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