30/10/2006

Quando compensa abrir mão de status

Fonte: O Estado de S. Paulo

Preço, espaço e segurança contam na decisão de quem opta por bairros emergentes e desiste de áreas mais valorizadas

Patrícia Baldo, de 38 anos, gostaria de morar no Alto de Pinheiros. “Minha filha – Sabrina, de 3 anos – está numa escola ótima lá, mas é um lugar para arquimilionário morar”, diz Patrícia, olhando os últimos detalhes do apartamento que acaba de comprar na Rua Carlos Weber, na Vila Hamburguesa.

Vai pagar R$ 400 mil pelo quatro dormitórios de 156 m2. “É o dobro do tamanho do nosso”, comemora o marido de Patrícia, o médico Ricardo Baldo, de 39 anos, sempre carregando a outra filha do casal, Beatriz, de 7 meses. “A família começou a crescer e precisávamos de mais espaço”, diz Baldo, que nasceu no bairro. “Antes existiam mais casas, pequenos comércios, oficinas. Não era esse monte de prédios.” A segurança e o clube, aliados a um condomínio baixo, contaram muito na hora da decisão.

A segurança de um condomínio semifechado na Vila São Francisco, próximo do Butantã, também ajudou mãe, filha e avó a decidirem comprar dois apartamentos de 81 metros quadrados, de R$ 220 mil cada. “Vamos ficar no mesmo prédio, em andares diferentes”, explica a gerente de recursos humanos Roberta Rodrigues Perondini, de 33 anos.

“Tinha visto uma propaganda da Vila São Francisco, mas morava numa casa grande no Jardim Previdência e não pensava em mudar”, diz a mãe de Roberta, Dulcinéia, de 66 anos. Claro que o bosque de 49 mil m2 também ajudou na decisão. “Apesar de estar perto da Avenida Corifeu de Azevedo Marques, é um sossego”, emendou.

É o 13º lançamento da Gafisa no mesmo terreno, o Colinas de São Francisco, nos últimos oito anos. Mas há outros empreendimentos por toda parte. Foi de olho nessa expansão que Laércio Ribeiro derrubou três casas para erguer o Caldeirão da Villa, restaurante na Rua Dr. Cândido Mota Filho. “Tem capacidade para 600 pessoas”, diz. Quando ele se estabeleceu no bairro, em 2000, com um bar menor e acanhado, havia poucos edifícios e comércio incipiente. “Impressiona como o bairro cresceu”, diz Ribeiro, que mora na também explosiva Vila Hamburguesa. “Quero abrir uma filial por lá”, conta.

Outro bairro promissor é a Chácara Santo Antônio, na zona sul, que muitos chamam de Granja Julieta. Levantamento feito pela Bamberg Consultores de Imóveis mostra dois lançamentos, num total de 422 unidades, no bairro, de 3 e 4 dormitórios, de R$ 250 mil a R$ 400 mil a unidade, além de dois futuros lançamentos, com mil apartamentos, de R$ 230 mil a R$ 250 mil. Há ainda um em construção, com 128 apartamentos, a R$ 600 mil a unidade.

“A Chácara Santo Antônio está mudando de vocação, da industrial para a residencial”, diz o diretor de negócios corporativos da Bamberg, Paulo Roberto de Almeida Lima. Segundo ele, a região é bem localizada, mas ainda tem preço acessível. “Ali o metro quadrado do terreno sai por R$ 500, já no Brooklin chega a R$ 2 mil.” Mas ele acredita que a valorização virá.
 

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