17/09/2009

Quase três Rocinhas a menos

Fonte: O Globo

Até 2013, a prefeitura pretende reduzir em 5% a área ocupada por 968 favelas do Rio. A meta consta do Plano Plurianual (PPA) do governo Eduardo Paes e corresponde a cerca de 2,3 milhões de metros quadrados, o equivalente ao bairro da Gávea ou quase três vezes a Rocinha, que tem 865 mil metros quadrados. Para atingir o objetivo de reduzir o tamanho das comunidades, o município pretende recorrer a três medidas. A primeira será a construção de 50 mil casas populares, que seriam oferecidas aos moradores de baixa renda. Outra medida será transformar as favelas em bairros, o que exigirá a abertura de novas ruas. Por fim, haverá a a transferência das famílias que hoje moram em áreas de risco.

Pelos cálculos do subsecretário municipal da Casa Civil, Marcello Faulhaber, a redução da área das comunidades implicará a transferência de cerca de 20 mil moradores. Técnicos da secretaria estão elaborando novos estudos para saber quais favelas serão incluídas no programa. Para chegar aos 5%, a prefeitura utilizou como parâmetro um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP). O trabalho, divulgado pelo Globo em janeiro deste ano, mostrou que, entre 1999 e 2008, a área ocupada por 968 favelas cresceu 7%, atingindo 45,8 milhões de metros quadrados. Hoje, o Rio já tem 1.020 comunidades, em 46,2 milhões de metros quadrados.

O PPA da prefeitura, que começou a ser analisado nesta segunda-feira pela Câmara de Vereadores, é o principal documento que estabelece os parâmetros para a elaboração do orçamento municipal. O plano traz ainda metas em diversas outras áreas. Em vez da construção de 40 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), uma das 83 promessas feitas por Eduardo Paes quando assumiu o governo, o número caiu para 20. Embora o PPA seja elaborado pela prefeitura, a meta relacionada às UPAs dependerá de decisões do estado. A prefeitura diz que reduziu o número de unidades porque o governo estadual já teria anunciado a construção de outras 20 na capital.

FAMÍLIAS SÃO RETIRADAS DE FAVELA; ÁREA EM MANGUINHOS TERÁ 38 PRÉDIOS – O Programa de Aceleração do Crescimento de Manguinhos fez uma intervenção radical na Favela da Embratel, de onde foram retiradas 1.239 famílias para a construção de 38 prédios, com 672 unidades habitacionais. O terreno da comunidade, de 33 mil metros quadrados, está totalmente vazio. Os imóveis devem ficar prontos até abril de 2010.

Outra comunidade que praticamente deixou de existir foi a Favela da Avenida Atlântica. Ali, restam poucas casas do total de 350 que havia. Como no caso da Embratel, a maioria dos moradores está no sistema de aluguel social.

A próxima favela do Complexo de Manguinhos a sofrer esse tipo de intervenção será a da CCPL, onde há mais de 1.300 famílias em situação similar às da Embratel: vivendo em moradias mínimas, com pouquíssimo espaço entre elas, e o esgoto correndo a céu aberto.

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