08/06/2008

Quatro-quartos com bom preço

Fonte: O Estado de S. Paulo

Excesso de oferta em bairros nobres, como Campo Belo e Brooklin, cria oportunidades

Rogério Albuquerque/AEZap o especialista em imóveisChance – Investidores devem baixar preço para revender rápido

A hora é boa para comprar imóveis novos de quatro dormitórios. Enquanto o segmento econômico – de dois quartos – segue aquecido e valorizado, o de padrão mais alto passa por um período de estabilização. É quando começam a surgir ofertas de melhores preços. Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos sobre o Patrimônio (Embraesp), diz que isto pode ser verificado na cidade como um todo, mas ocorre principalmente em alguns bairros nobres da zona sul.

“Algumas regiões estão saturadas de quatro dormitórios, como Brooklin e Campo Belo. É uma região com um número expressivo de unidades, em diversos estágios de obras. Tem oferta na planta, na primeira ou segunda laje ou prédios até prontos para morar, mas que estão ainda desocupados”, afirma. Por isso, é nestes dois bairros onde se devem encontrar as melhores oportunidades. “É uma condição normal dos mercados. Quando há oferta grande e demanda pequena, para conseguir negociar, tem de baixar o preço. Os investidores estão concorrendo, disputando fortemente os clientes.”

Segundo Pompéia, isso ocorre porque, durante o ano de 2006, quando houve recorde de lançamentos voltados à classe média alta, os empreendedores avançaram para essas regiões, criando excesso de oferta. Tanto que há dois casos de empreendimentos de grandes construtoras que voltaram atrás no projeto, após o lançamento,por causa do baixo volume de vendas.

Mas ele ressalta que as boas ofertas devem vir do mercado de revenda. “Provavelmente quem vai poder baixar primeiro o preço são os investidores que compraram para revender. Em segundo, quem comprou pra morar e eventualmente quer revender.” Portanto, quem está interessado em algo nessas regiões deve ir atrás das ofertas nas imobiliárias. “O comprador deve atentar bastante, pechincar bastante, fazer comparações, fazer o papel dele, que encontrará boas ofertas.”

Outros bairros de perfis parecidos também têm ofertas excedentes, segundo o diretor da Embraesp: Alto de Pinheiros, Vila Madalena, Vila Leopoldina, Lapa, Alto da Lapa e Tatuapé. “Em tese, pode acontecer isso na cidade inteira dentro desse segmento.”

Segunda fase 

Para o diretor da imobiliária FGi Negócios imobiliários, Feliciano Giachetta, o comprador deve estar atento também aos plantões de venda, onde ocorrem os chamados lançamentos da segunda fase. “São unidades remanescentes, de estoque técnico (quantidade de imóveis que o empreendedor não coloca à venda no primeiro momento), ou segunda fase. Essa segunda fase normalmente significa bom momento para comprar”, afirma.

Isso porque, segundo ele, alguns empreendimentos que foram lançados depois não tiveram a mesma velocidade de venda que os primeiros. Porém, não significa que este produto seja inferior. “É o mesmo nível de construção e de projeto, em bairros nobres.”

Giachetta confirma que na zona sul, especialmente no Campo Belo, há uma grande concentração deste tipo de oferta. “Houve boom de quatro-quartos em várias regiões, na cidade toda. Mas esta é uma das regiões que ficou entre as dez com maiores números de unidades aprovadas de dois anos para cá.” Segundo ele, o valor do metro quadrado na região está em torno de R$ 3.600 e R$ 3.700, mas, talvez, seja possível encontrar por menos entre unidades remanescentes.

Valor do m² é o menor em quatro anos

Segundo levantamento anual da Embraesp, em 2007, o valor médio do metro quadrado de área útil das unidades de quatro dormitórios na cidade foi o mais baixo dos últimos quatro anos: R$ 3.619. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Habitação (Secovi), isso se deve ao surgimento dos quatro-dormitórios compactos.

“Antigamente, um quatro-quartos era de altíssimo padrão. Agora, começam a ter quatro-dormitórios utilitários, que servem para acomodar a família, mas não são de luxo”, explica.

A localização também influencia. Antes, eles surgiam apenas nas áreas mais nobres da cidade. “Hoje, começa a haver demanda em bairros de valor onde o terreno é mais acessível.”

 

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