02/01/2009

Queda da bolsa adia sonho

Fonte: Jornal da Tarde

Crise financeira movimenta o setor imobiliário

Quem tinha dinheiro aplicado na bolsa de valores foi pego em cheio pela crise do mercado financeiro internacional. Muitos optaram em retirar o dinheiro das aplicações e passar para o setor imobiliário, caso do advogado Paulo Cesar Martins. Quando ele se deu conta, parte dos recursos poupados para a compra de um imóvel se foi junto com a queda da Bovespa e o sonho de comprar uma residência nova acabou sendo adiado.

“Quando a bolsa começou a cair, achávamos que as perdas seriam recuperadas em breve, mas não aconteceu. A outra parte do dinheiro estava na nossa casa, que teríamos que vender. Como o mercado está parado, resolvemos esperar até a metade de 2009 porque acreditamos que neste mês podemos enfrentar uma crise forte”, comenta Martins.

O advogado fez até a pré-reserva de um apartamento no bairro Bela Vista, em São Bernardo. “Mas quando fomos acertar a compra, os R$ 2,7 mil mensais combinados com a construtora não iam mais pagar o apartamento que queríamos. Esse foi outro motivo que nos fez desistir”, conta a dona de casa Maria de Fátima Felgueiras Martins.

Martins conta que a ideia de trocar a casa em que vive há 28 anos por um apartamento menor, de três dormitórios, surgiu com a saída dos filhos da residência para casar. “Também queremos ir para um bairro melhor. Aqui é muito seguro, mas estamos envelhecendo e um sobrado pode pesar com o tempo”, diz o advogado, que vive no Jardim Calux, em São Bernardo.

Mesmo assim, a família tenta ver um lado bom de ter adiado a compra do novo imóvel: a crise vai ajudar a acertar o mercado imobiliário, que, segundo eles, está inflacionado. “Percebemos que o número de lançamentos já caiu por aqui, mesmo ainda tendo muita coisa para vender. Acho que isso fará os preços voltarem para a realidade, pois desde que começamos a procurar só houve aumento do valor do metro quadrado por aqui”, comenta Maria de Fátima.

Segundo Martins, um apartamento de 100 m² comprado há dois anos no bairro do Baeta Neves, em S. Bernardo, passou de R$ 90 mil para R$ 170 mil. “Não é possível uma valorização dessa. Isso não pode ser real e nem durar muito, pois está fora da realidade”, questiona. A família também reclama dos preços comparados à capital. Para o profissional liberal e antigo morador do Tatuapé, a diferença do valor dos imóveis com o bairro que viveu em São Paulo está cada vez menor. “Aquela parte da zona leste é muito boa, gostamos de lá. Só que viemos na época para São Bernardo por causa do preço. Hoje, o valor do m² está cada vez mais parecido com o Tatuapé, Mooca e Vila Formosa. A vantagem que S. Bernardo e todo o ABC tinha, que era o preço mais em conta, está ficando cada vez menor”, diz.

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