25/05/2007

Queda de preço na Santa Ifigênia

Fonte: Jornal da Tarde

Região registrou a segunda maior queda no valor da locação em São Paulo entre março e abril

Nilton Fukuda/AEZap o especialista em imóveisA Santa Ifigênia é o maior pólo de venda de eletroeletrônicos do país

A Santa Ifigênia já não é mais a mesma, mas o status de centro de compras de eletroeletrônicos que uma das vias de maior movimento da Capital adquiriu ao longo das últimas décadas e alguns atrativos financeiros são a aposta dos investidores no mercado de locação para reaquecer a região.

Com a queda do fluxo de pessoas na rua em até 20%, de acordo com os próprios comerciantes, o valor dos aluguéis também sofreu ligeira redução. Segundo dados da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), a Santa Ifigênia registrou queda de 1,6% nas mensalidades entre os meses de março e abril, a segunda maior de São Paulo.

Esse porcentual está na contramão do índice geral dos valores de aluguéis da cidade, que subiu 0,9% no mesmo período. Administradores e corretores de imóveis e até os comerciantes acreditam também que uma ação mais intensa da polícia no combate aos produtos piratas seja um outro motivo da desvalorização das lojas da região.

Em contrapartida, o projeto de revitalização do Centro da cidade, capitaneado pela Prefeitura de São Paulo, e alguns descontos oferecidos por algumas administradoras de imóveis estão fazendo da Santa Ifigênia um ponto comercial ainda atrativo para comerciantes da Capital.

A administradora de imóveis A.Cury, por exemplo, chega a oferecer desconto de até R$ 100 no primeiro ano de aluguel para atrair locatários. “A estratégia vem funcionando. Aos poucos vamos alugando as salas”, relata Patrícia Jacobucci, auxiliar da A.Cury, que já chegou a ter uma taxa de vacância de 50% das salas de um edifício comercial na Santa Ifigênia.

Segundo ela, a tabela de preços tem sido reduzida nos últimos anos. Hoje, o aluguel de uma sala de 58 metros quadrados no primeiro andar do prédio custa R$ 500. “Se o locatário achar que a condição da sala não está boa, nós damos um mês de carência para ele reformar”, afirma.

Já nas galerias, esse valor chega a ser cinco vezes mais caro. Ainda assim, os investidores acreditam no aumento da procura e na valorização da região. Enquanto não há vagas nas lojas das ruas, pelo menos duas novas galerias estão sendo construídas e devem surgir outras dezenas de lojas.

O acaso fez o bairro dos eletros

Aurélio BecheriniI/Arquivo/AEZap o especialista em imóveisViaduto Santa Ifigênia em 1920

A caracterização da região da Rua Santa Ifigênia como centro de compras de eletroeletrônicos não tem uma única razão específica de ser, mas a junção de vários fatores. Na década de 1950, havia um comércio bem variado no local, com lojas, então, famosas em toda a cidade, como a Casa Cisne, que vendia artigos de cama e banho, e a Casa Pólo Norte, uma das mais sofisticadas, pois vendia estolas e roupas em peles. Nos anos 1960, surgiram algumas lojas de válvulas para equipamentos eletrônicos.

Eram os anos pré-milagre brasileiro, quando equipamentos eletroeletrônicos começavam a se popularizar. Era, então, o negócio do momento. A concentração desse segmento naquela região aconteceu foi simplesmente por ser o produto da moda e por o lugar ser o endereço da antiga Estação Rodoviária, que recebia passageiros de todas as partes do Brasil, que, obrigatoriamente, tinham de passar pelo meio do bairro de Santa Ifigênia.

Comércio crescendo, venda de produtos eletrônicos crescendo, região crescendo… Foi a junção, como se diz no popular, ‘da fome com a vontade de comer’.

Apesar da fama de ser também um centro de mercadorias contrabandeadas, o fato é que cerca de 90% das lojas e boxes dali são regularizados. O problema são os ambulantes, que obstruem as calçadas e vendem produtos piratas, falsos ou de má qualidade.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.