15/04/2007

Quem tem medo do hidrômetro?

Fonte: O Estado de S. Paulo
AEZap o especialista em imóveis

Pesquisa recente do Procon-SP dá alguns números importantes sobre a despreocupação do consumidor brasileiro com o meio ambiente. O desperdício de água e energia elétrica está presente nesses números. Quando o assunto é banho, 39% dos entrevistado disseram tomá-lo sempre com duração acima de dez minutos. Esse consumidor perdulário paga caro pelo consumo de energia elétrica a que o banho induz. Mas não paga pela água individualmente e sim pelo rateio entre os moradores do prédio. Talvez por isso não queira o hidrômetro de medição individual do precioso líquido.

Algumas administradoras de condomínios já detectaram essa resistência. O hidrômetro de medição individual – gastará mais quem mais consumir entre as unidades autônomas do conjunto residencial – é uma ameaça ao bolso do condômino gastador e um benefício para o condomínio.

Quem mais tem medo do hidrômetro? As construtoras o querem e estão lutando por ele? Parece que sim mas ainda não vêem esse equipamento com seu real custo-benefício. Não há muita pressa em lançar os imóveis com o equipamento já instalado. Acham que a inovação vai onerar os custo do produto final? Vale mais a pena investir em itens de lazer que, embora também onerando o produto final, tornam-se materiais de propaganda e merchandising nos estantes de venda e nos anúncios. É mismarketing. O hidrômetro deveria ser a estrela dos lançamentos imobiliários porque é um grande negócio individual e coletivo. Até onde existir água para todos, ele é o futuro.

As empresas concessionárias do fornecimento de água estão perdendo dinheiro com o desperdício em vazamentos ao longo do sistema. Mais de um terço da água da Sabesp é perdida no caminho. Não importa se essa água é tarifada ou não – o valor é o mesmo. Nada menos de 34% da água tratada pela empresa se perdem. Para reduzir o prejuízo, até tecnologia do Japão será utilizada.

Mas a empresa que tanto perde com vazamentos, ganha com os banhos demorados. Os hidrômetros de medição individual não vão apenas fazer justiça tipo paga mais quem mais gasta. Eles vão afetar diretamente o bolso de quem demora tanto embaixo do chuveiro e vão portanto reduzir o tempo desse banho. A conta de água vai baixar. A de energia elétrica também. Isso não interessa?

Num momento em que tanto se fala em escassez de água e quando voltamos a falar de apagões, o hidrômetro de medição individual deveria merecer mais crédito.

Por enquanto, está apenas no olho do furacão. Em lugar de urgente, continua polêmico. O problema é que o objetivo final da instalação desses equipamentos – reduzir o quadro de desperdício de água e de suas conseqüências no meio ambiente – esse objetivo final pode ficar esquecido.
*Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP e diretor do Grupo Hubert.

 

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