30/03/2008

Recorde de fusões e aquisições

Fonte: O Globo

União de construtoras e imobiliárias tende a melhorar qualidade e reduzir preço de imóveis

O mercado imobiliário assiste, hoje, a um número recorde de transações de aquisições, fusões e joint ventures. Como forma de sobrevivência numa indústria cada vez mais competitiva, grandes empresas compram pequenas, médias e… grandes empresas. Pesquisa da KPMG divulgada quarta-feira mostra que, no primeiro trimestre do ano, o número de acordos no setor (14) dobrou em relação ao mesmo período de 2007. E, segundo a PricewaterhouseCoopers, no ano passado foram realizadas 55 operações, em aumento de 53% sobre 2006. Para o comprador de imóvel, a passagem de bastões virou sinônimo de profissionalização. Ou seja, de produtos e serviços de melhor qualidade. Além disso, segundo executivos do setor, fará os preços caírem.

Tudo isso acontece porque o mercado imobiliário está mais capitalizado do que nunca. Do total de 73 operações de ofertas públicas de ações realizadas na Bovespa em 2007, 11 foram feitas por empresas da área. Com tanto dinheiro em caixa, as cerca de 25 companhias de capital aberto do setor aumentam seu poder de fogo.

— Para se manterem saudáveis, as empresas precisam ser mais competitivas, e as fusões e aquisições, que se tornaram viáveis graças ao volume de dinheiro captado, são formas de elas fazerem isso: racionalizando custos e ampliando as oportunidades de escala — analisa João Cláudio Robusti, presidente do Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).

Sob a pressão dos acionistas para entrega de resultados, as construtoras migram para regiões fora do eixo Rio-São Paulo. E, para chegarem na frente em estados onde não têm tradição, compram ou se fundem com outras que detêm algum ativo que lhes é interessante — como o conhecimento ou até a liderança do mercado.

Caso da carioca Gafisa, que em 2006 adquiriu 60% da Alphaville Urbanismo, maior incorporadora de projetos de desenvolvimento urbano do Brasil, por R$ 201 milhões. A operação foi só o início de um projeto arrojado para 2007 quando, numa disputa travada pelas principais rivais do mercado nacional, comprou 70% da alagoana Cipesa, ampliando sua presença no Nordeste. E, depois de adquirir companhias menores, fez uma joint venture com a Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, braço de habitação da maior empreiteira do país, para construir para a baixa renda. A estratégia já levou a Gafisa, que hoje tem sede em São Paulo, a 39 cidades em 17 estados.

Já a paulista Cyrela veio ao Rio e incorporou a RJZ Engenharia, numa transação de valores não divulgados. A empresa, que está em 40 cidades de 16 estados, firmou joint venture com a Irsa Inversiones y Representaciones, maior empresa imobiliária argentina, na esperança de que o boom da construção no Brasil venha a se repetir, no país vizinho.

E como todo lançamento precisa de um intermediário para vendê-lo, as imobiliárias também seguem a expansão das incorporadoras. Desde a abertura de capital, em 2006, a paulista Lopes entrou em 11 novos mercados e ampliou sua atuação no Rio, onde efetuou, por R$210 milhões, a maior transação da história do segmento de intermediação imobiliária do país: a compra de 100% da Patrimóvel, a maior do Estado do Rio.

— Em todas as operações de aquisição, compramos a líder do mercado local. Mas algumas praças tinham uma atuação pouco agressiva. Estamos profissionalizando a intermediação imobiliária — afirma o diretor de Novos Negócios da Lopes, Tomas Salles.

Sua principal concorrente, a Brasil Brokers, apesar do pouco tempo de existência — as atividades foram iniciadas em junho de 2007 —, também já consolidou sua estratégia de atuação nacional. Com origem no braço imobiliário da Gulf Investimentos, comprou 22 empresas de destaque em seus respectivos mercados: no Rio, a principal delas é a Basimóvel. Isso, numa onda de aquisições que soma algo entre R$500 milhões e R$600 milhões, informa Sérgio Freire, presidente da Brasil Brokers:

— Ficou muito claro que, com a capitalização das grandes construtoras do eixo Rio-São Paulo e a expansão do financiamento de longo prazo, o setor enfrentaria um gargalo na corretagem imobiliária. Decidimos criar uma empresa nacional, porém, usando o talento, a expertise e a cultura locais.

 

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