04/05/2008

Recordes viabilizam sonhos

Fonte: Jornal EXTRA

Volume de crédito habitacional não pára de crescer e estimula mercado

Os números do crédito imobiliário no Brasil têm batido seguidos recordes. Segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos habitacionais com recursos da poupança alcançaram R$5,48 bilhões, no primeiro trimestre deste ano. Isso significa quase 55 mil unidades financiadas. As cifras representam um volume 88,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2007. Para se ter uma idéia, nos primeiros três meses de 2008, foram contratados mais recursos do que em todo o ano de 2005 – R$4,85 bilhões.

Os recursos do Fundo de Garantia (FGTS), que oferecem taxas de juros mais baixas no crédito habitacional, também têm jorrado como água. Segundo a Caixa Econômica Federal, gestora do fundo, foram aplicados até 31 de março R$1,823 bilhão para financiamento de 37.620 unidades. Os saques do FGTS para a compra da casa própria chegaram a R$895,8 milhões de janeiro a março. O número é 6% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Uma das linhas que utilizam os recursos do FGTS, criada em 2007 e que entrou em vigor em janeiro deste ano, já está com os recursos quase no final. É a pró-cotista, que beneficia os trabalhadores que têm conta de FGTS. O modelo permite juros de 8,66% ao ano mais Taxa Referencial (TR) para qualquer faixa de renda, inclusive para quem ganha mais que R$4.900 – público que, até então, era atendido apenas pelas linhas de empréstimo com recursos próprios ou da poupança.

Só a Caixa Econômica – que ficou com 70% do orçamento do pró-cotista para 2008, que é de R$1 bilhão – já gastou 55% dos R$700 milhões. Esse valor financiou 4.720 unidades. No Rio, foram 658 imóveis comprados com R$56 milhões do dinheiro liberado pelo Conselho Curador do FGTS. De acordo com a Caixa, se houver falta de recursos em determinadas cidades, haverá realocação entre os estados. Além disso, o conselho já admite votar uma suplementação da ordem de R$1 bilhão para ampliar a linha.

– Em maio, esse assunto deve ser colocado em pauta na reunião do conselho. Há total interesse em aplicar o FGTS em habitação dentro dessa linha – disse Maria Henriqueta Arantes, do grupo de apoio ao Conselho Curador do FGTS.

É preciso entender, no entanto, que o FGTS tem duas funções básicas nos financiamentos habitacionais: uma é o direcionamento de recursos do fundo geral para empréstimo imobiliário – o orçamento deste ano é de R$8,4 bilhões. A outra é a utilização do próprio FGTS pelos trabalhadores na hora de comprar a casa própria. Uma coisa independe da outra. Ou seja, uma pessoa pode utilizar o dinheiro depositado no seu FGTS para comprar um imóvel, sem necessariamente estar enquadrado em uma linha de financiamento que utiliza recursos do FGTS. Pode ser com dinheiro da poupança, por exemplo.

– O crédito habitacional mudou a forma de aquisição do mercado, facilitando muito a compra da casa própria graças ao alongamento dos prazos em até 30 anos e juros que variam de 8% a 12%, dependendo da linha e do valor do imóvel. Hoje é viável trocar o aluguel pelas prestações – disse o diretor regional da Rossi Residencial Rio, Marco Adnet.

Foi por conta dessa facilidade que o administrador de empresas Guilherme Siqueira de Albuquerque, de 26 anos, conseguiu comprar seu primeiro imóvel. Ele aproveitou a oportunidade em que a renda se encaixava nas condições e deu entrada em um apartamento no Cidade Jardim, na Barra da Tijuca:

– Quem diria que seria possível comprar um imóvel aos 26 anos? Antigamente, as pessoas demoravam muito mais para conseguir. Aproveitei a oportunidade, projetei a minha evolução profissional, planejei o financiamento e fechei o negócio – disse Guilherme.

A comerciante Thais Gomes Macedo, de 30 anos, também comprou financiado o seu primeiro imóvel, no Vila Florença, na Penha. Ela ficou impressionada com a facilidade que encontrou.

– A Rossi, que fez o empreendimento, intermediou o negócio e foi bem mais simples do que eu imaginava – disse Thais.

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