05/02/2009

Recursos do PAC serão ampliados em R$ 142,1 bilhões até 2010

Fonte: O Globo

No lançamento do programa, há dois anos, o governo previa investir R$ 503,9 bilhões no período

Brasília – O governo anunciou nesta quarta-feira um acréscimo de R$ 142,1 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010. No lançamento do programa, há dois anos, o governo previa investir R$ 503,9 bilhões no período. Com a posterior inclusão de novas ações, o montante passa a ser de R$ 646 bilhões. No entanto, entre 2007 e 2008, foram aplicados apenas R$ 48 bilhões.

Outros R$ 502 bilhões foram acrescentados para o período pós-2010, totalizando um investimento de R$ 1,148 trilhão. Desse total, o setor de energia é que mais vai receber investimentos – R$ 759 bilhões. O eixo de logística ficará com R$ 132,2 bilhões e o social e urbano, com R$ 257 bilhões. A intenção do governo é reforçar a infra-estrutura para fortalecer a política de estímulo ao setor privado e a geração de empregos.

Dos R$ 142,1 bilhões extras para o período até 2010, a área de infraestrutura social e urbana ficará com R$ 84,2 bilhões, seguida por projetos de logística, que receberão R$ 37,1 bilhões, e do setor energia, que terá R$ 20,2 bilhões.

O PAC deve injetar recursos em 2009 equivalentes a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), volume superior ao montante de 1% do PIB dispendido em 2008. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, somente os investimentos da Petrobras devem somar 1,4% do PIB ante 1,1% do PIB em 2008.

Ao abrir a exposição, Mantega destacou a importância do PAC para o país sentir menos os efeitos da crise internacional. Ele ressaltou que outros países estão criando programas de investimento em infraestrutura para enfrentar o impacto da crise.

“O que podemos ver é que o PAC fortaleceu o país. Se nós não tivéssemos lançado o PAC em 2007, teríamos de lançar agora”, afirmou o ministro.

RECESSÃO – Guido Mantega também afirmou que a economia brasileira não entrará em recessão, apesar de o presidente Lula ter admitido uma retração e da violenta queda na produção industrial divulgada na terça-feira. Segundo Mantega, a palavra recessão serve para Estados Unidos, União Europeia e Japão. Ele exaltou o preparo do Brasil para enfrentar as turbulências e foi além, dizendo que se todos os países tivessem tido o comportamento do Brasil nos últimos anos, a crise não teria acontecido.

Não teremos crescimento negativo. Haverá uma desaceleração, mas nós não entraremos em recessão. De fato teremos uma desaceleração, mas ela não será tão grave quanto se pensa. O Brasil terá uma taxa de crescimento maior que a maior parte dos países do mundo, porque se preparou para enfrentar a crise – afirmou Mantega, ressaltando que o governo mantém as projeções de crescimento estabelecidas “porque elas são metas a serem alcançadas”.

O ministro repassou alguns dados sobre os fundamentos econômicos do país. Informou que as reduções de impostos para o setor produtivo feitas pelo governo entre 2004 e 2008 somaram R$ 104 bilhões. Na opinião de Mantega, a elevação da massa salarial da população é um dos principais fatores para driblar a atual crise.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, notou, por sua vez, que dos R$ 18,9 bilhões da dotação do PAC em 2008, R$ 17 bilhões foram empenhados (contratados) e R$ 11,4 bilhões foram pagos efetivamente. Ele explicou que a diferença de US$ 1,9 bilhão para a contratação foi parcialmente repassada ao fim do ano para novas obras, em crédito que será efetivado neste ano.

“Vamos rever alguns programas e obras que tiverem algum embaraço terão seus recursos transferidos a programas que estão andando com mais rapidez”, disse Paulo Bernardo.

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