03/06/2007

Reforma sem traumas

Fonte: O Globo

De que forma condomínios podem evitar atrasos nas obras e gasto além do previsto

Marco Antônio CavalcantiZap o especialista em imóveisRestauração na fachada e troca da tubulação em edifícil de Copacabana: obras já duram mais de dois anos

Sucessivas mudanças nos prazos das obras e gastos muito acima do orçamento, problemas enfrentados pelo município na preparação para o Pan, são velhos conhecidos de quase todos os moradores de condomínios. Operários dentro e fora dos apartamentos, barulho, poeira e muitas cotas extras também parecem fazer parte do pacote de obras em prédios de todos os tamanhos. Que o diga Angela Guimarães, síndica de um edifício em Copacabana que passa por reforma de fachada e troca de tubulação. O quebra-quebra já dura dois anos.

O cenário fica pior se levado em conta um dado preocupante: de acordo com estimativas das principais administradoras, apenas 10% dos condôminos comparecem às assembléias. Por isso, dizem especialistas, apesar da importância da reunião, síndico e conselho consultivo devem começar o trabalho antes dela, fazendo pesquisas individuais com os moradores.

A escolha de mão-de-obra qualificada e o cálculo da quantidade de material de construção merecem atenção especial dos síndicos. Washington Rodrigues, gerente-geral de Condomínios da administradora Apsa, lembra que qualquer obra é motivo de brigas. Ainda mais se, no meio dela, é preciso trocar de empreiteira ou comprar mais material.

— Isso sempre atrasa e encarece a obra. Além disso, o síndico nunca deve tomar decisões sozinho. Uma boa alternativa é dividir as responsabilidades. Por exemplo, criar um conselho de obra, encarregando alguns componentes de acompanhar o andamento dos trabalhos — aconselha.

Pesquisa de orçamentos evita questionamentos

Num condomínio, há três tipos de obras. As necessárias são as de caráter urgente e não dependem de aprovação da assembléia, como a correção de um vazamento. Nesse caso, o síndico ou qualquer condômino pode iniciar a obra e depois prestar contas ao condomínio. As úteis se referem a pequenos reparos nas áreas comuns e precisam da aprovação da maioria dos condôminos. Por último, as reformas de embelezamento necessitam de aprovação, em assembléia, de dois terços dos moradores.

Para qualquer tipo de obra, a síndica Angela Guimarães ressalta a importância de se pesquisar vários orçamentos, evitando possíveis questionamentos. No prédio que administra, além do fundo de reserva de R$24, os moradores dos 38 apartamentos estão pagando cota extra em oito parcelas de R$85.

— Fazer obra em condomínio é sempre desgastante. Alguns moradores reclamam do barulho; outros, das cotas extras. Tento mostrar que o resultado será benéfico — diz ela.

 

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