21/08/2008

Refúgio de traço urbano

Fonte: O Estado de S. Paulo

Francisco Cálio faz interferências em projeto original e põe sua marca em residência no Tamboré

SÃO PAULO – No projeto original, a casa tinha um ar campestre, típico de um refúgio de fim de semana. Mas não era exatamente isso o que a família desejava. O casal com dois filhos queria uma morada distante do centro de São Paulo, mas ao mesmo tempo com traço urbano. Foi aí que entrou em ação o arquiteto Francisco Cálio, chamado para intervir no projeto ainda na planta, em 2006. 

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisSobriedade e peças assinadas na decoração do living, como a poltrona Egg verde-maçã

Ele estudou a proposta inicial e, para dar uma idéia das alterações que tinha em mente, produziu uma maquete da residência idealizada para o terreno de 1.400 m², em Tamboré, na Grande São Paulo. “Eles adoraram””””, lembra o arquiteto, que aplicou conceitos contemporâneos tanto na arquitetura quanto na decoração. “Acompanhei a construção do zero, das fundações até a última flor no vaso”, orgulha-se.

De fato, Cálio fez intervenções não apenas na arquitetura como também em todo o acabamento. “Busquei materiais simples, mas ao mesmo tempo sofisticados, especialmente para revestimentos”, diz. Exemplos são a pedra São Tomé (37 cm x 37 cm, R$ 82 o m², na Pedras Amazonas) e o granito preto São Gabriel (R$ 390 o m², na Villa Mar Pedras e Mármores).

Por coincidência, o filho mais velho dos proprietários, que estudava Arquitetura na época, usou a obra como laboratório. E o arquiteto virou professor, detalhando as idéias aplicadas na casa de 700 m², divididos em três pavimentos no terreno em declive: ao nível da rua, escritório, living, lavabo e cozinha; no andar superior, três suítes, e no subsolo, a área de lazer, com cozinha gourmet, sala de jogos, home theater e adega. Separada da cozinha gourmet por uma porta metálica de correr, para que a temperatura se mantenha, o espaço tem pedras originais na parede, descobertas na escavação.

Outro destaque é a cozinha gourmet em estilo americano (Florense), com tampo de granito preto e balcão revestido de canjiquinha. Ao longo dele, banquetas de resina branca. Quem cozinha ou toma um drinque pode conversar com quem está na sala da lareira, num nível inferior, onde Cálio explorou o contraste entre o branco e o preto.

Uma porta de correr de vidro conecta essa sala à área externa, com pergolado, sauna, banheiros, piscina e jardim. No lado oposto está o home theater. Para dividir os ambientes, o móvel com nichos pretos de rovere ebanizado, decorado com cestos de palha de buriti (de vime, a partir de R$ 25 cada um, na Kariri) em contraponto às poltronas Oyster, de Pierre Paulin.

No térreo, os espaços são compartimentados. “Foi um pedido do morador. Ele quis um escritório logo na entrada, eu fiz o jardim de inverno para separá-lo do living… e era preciso um lavabo. Daí tantas portas”, explica o arquiteto, que ainda planejou uma segunda entrada para a casa – perto da garagem e paralela à porta principal -, que funciona também como hall de distribuição da área íntima.

A decoração do living também atendeu ao desejo da família, de criar ambientes modernos. Cálio usou estofados de skin-suede fendi, poltronas Egg verde-maçã de mesmo tecido (R$ 3.354 cada uma, na Micasa), bancos próximos à lareira e mesinhas de laca branca. O preto ficou no conjunto de jantar, também de laca.

Muito usado na casa, o granito preto surge, ainda, no painel da lareira e nos degraus da escada que leva ao andar superior, onde o destaque é o banheiro da suíte máster, que valeu a Cálio o prêmio Deca 2006 – o mármore italiano Volakas leitoso e com veios cinza prevalece no piso, paredes e bancadas; um deck separa o box da banheira de hidromassagem; e, perto dela, o banco Bertoia (a partir de R$ 1.766, na Micasa). O toque final ficou por conta da parede revestida de pastilhas de vidro preto, “para quebrar o classicismo do mármore”, diz ele.

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