17/04/2009

Região Metropolitana é novo alvo da construção civil

Fonte: Jornal da Tarde

Incorporadoras apostam firme nas cidades vizinhas da Capital na Região Metropolitana

Diante de terrenos mais caros na Capital, com preços inflados pelo uso do Certificado de Potencial Adicional de Construção (Cepac), pelo qual as construtoras pagam caso queiram construir mais do que o limite permitido, os lançamentos imobiliários tendem a se concentrar na Região Metropolitana, em cidades do ABC Paulista, em Guarulhos e em Cotia. Especialistas estimam que o preço dos imóveis nessas áreas seja 10% a 15% mais barato.

Dentre as regiões demarcadas pelo mercado imobiliário na Grande São Paulo, a única da Capital – que é dividida em regiões de bairros – que figura entre as cinco com maiores números de unidades lançadas em 2008, é o Morumbi, na Zona Sul. São 31 lançamentos em São Bernardo, 26 em Santo André, 22 em Guarulhos, 19 em São Caetano e 17 em Cotia.

Os lançamentos nessas regiões tiveram um salto expressivo entre 2006 e 2007. Cidades como Guarulhos, Cotia, São Caetano e Barueri pularam para a casa dos quatro dígitos após anos de crescimento mais modesto, interrompidos por quedas.

O aproveitamento máximo do terreno permitido na Capital, que equivalia a quatro vezes o tamanho da área até 2005, hoje, restringe-se a duas vezes e só chega a ser multiplicado por quatro com pagamento adicional, conta Luiz Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). “Para viabilizar o projeto, a construtora encarece o preço para compradores e pode mudar inclusive sua faixa, de classe média para média alta.”

Para Elbio Fernández Mera, diretor da imobiliária que leva seu nome, isso ajuda a “empurrar” moradores da Capital para as vizinhas da Região Metropolitana.Pompéia concorda. “O que a Capital perde, a Região Metropolitana supre. Enquanto os imóveis encareceram em São Paulo, as prefeituras de algumas cidades vizinhas, como Barueri, baratearam terrenos para competir com a Capital. Enquanto ela cresce menos de 1%, alguns desses municípios atingem 2%.” O preço do imóvel no Ipiranga, zona sul da Capital, é, em média, o dobro do de Santo André, segundo Pompéia.

“Nesse mercado, 70% dos compradores são moradores da região, mas 30% são moradores da Capital que resolvem migrar para essas cidades”, explica Sandro Gamba, diretor de Incorporação em São Paulo da Gafisa. Para ele, nos próximos anos, a tendência é de desaceleração frente ao novo cenário econômico. Já Mera acredita que o crescimento será mais expressivo, impulsionado pelo novo plano para habitação do governo, focado na baixa renda e que precisa de terrenos mais baratos.

LANÇAMENTOS AUMENTAM ATÉ 400% – Entre 2006 e 2007, os lançamentos em Guarulhos e Cotia aumentaram 400%. Guarulhos foi de 610 para 3.392; Cotia, de 481 para 2.154. E, em 2008, o crescimento continuou. Em Barueri, São Caetano e Osasco o crescimento foi de 200%. O salto dos lançamentos começou antes em Santo André, que de 2006 para 2007 foi de 676 lançamentos para 2.738.

São Bernardo liderou o número de unidades lançadas no ano passado, com 4.960, o triplo do ano anterior.

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