17/11/2011

Regras de convivência, uma tarefa nem tão fácil assim

Fonte: O Globo

Dicas para evitar conflitos na hora de dividir um apê com os amigos

Regras de convivência, uma tarefa nem tão fácil assim
A muçulmana Novi Maulida e a carioca Lidice Cabral, dividem o mesmo arrmário de roupa (Foto: Gustavo Stephan/Agência O Globo)

Dividir o mesmo teto com amigos é bom, mas pode não ser uma tarefa tão fácil. Fato é que, para a casa não cair, é preciso criar algumas regras de convivência. Há aqueles que as põem por escrito. Outros preferem deixar que a rotina doméstica diga como tudo deve ser feito. De toda forma, vale saber que, para dar certo, é preciso ter muito jogo de cintura. No Rio, há uma série de estudantes universitários e forasteiros que vivem essa situação, seja pelo gosto em dividir um apê ou por não terem condições financeiras de embarcar numa vida solo.

A mestranda Lídice Cabral Nascimento foi morar numa república em Niterói para ficar mais próxima da Universidade Federal Fluminense – UFF, onde está fazendo uma pós em Geografia. O apartamento possui três quartos e é dividido por nada menos que cinco estudantes, todas mulheres. E dá certo?

“Já moro aqui há três anos e, com a experiência de dividir o apartamento com diferentes tipos de pessoas, foi possível criar algumas regras que acho que são válidas para que todos possam conviver em harmonia. Acho que é importante estabelecer a rotina da casa logo de cara e se adaptar também ao estilo de vida das pessoas que estão morando com você”, explica a estudante, que divide quarto com uma muçulmana há poucos meses.

O aluguel da casa custa R$ 1.500 com as taxas. Quem mora no quarto maior, ou sozinha, paga mais caro. Lídice e Nozi Maulida,que residem no dormitório menor, pagam, cada uma, R$ 300. As duas convivem bem apesar das diferenças culturais.

“Eu sou a única das moradoras que fala inglês fluente, então sirvo de mediadora entre a minha roommate e as demais. Nossa convivência é boa dentro da casa e não tenho problemas com o fato de ela acordar todos os dias às 4h30m da manhã para rezar. É tão silenciosa que nem percebo, continuo dormindo que nem pedra”, diverte-se.

O quarto de tamanho médio é dividido pelas mestrandas Luiza Alencastro e Melina Santos, ambas da UFF. Cada uma paga R$ 330. No maior dormitório da república fica a graduanda Luiza Pimenta.

A república não tem faxineira. Todas as residentes dão R$ 10 por mês para a compra de materiais de limpeza que, via de regra, deve ser feita por todas. Esse ponto é nevrálgico, pois difícil é assumir a responsabilidade por alguma bagunça.

Na dispensa, cada uma tem a sua prateleira, pois a comida não é dividida. Mas, de vez em quando, o grupo reúne amigos para um jantar.

“Nesses dias, pegamos coisas das prateleiras de todas. Mas não podemos fazer muitas festas, pois já recebemos duas multas por causa do barulho”, confessa LÍdice.

Os amigos Rafael Gusmão e Anderson Correia, um de Volta Redonda e outro de Juiz de Fora, ainda não receberam multas no apê alugado recentemente. Mas adoram fazer reuniões. Principalmente, para ler os textos de teatro que escrevem.

“Quando fui morar com o Anderson, nem pensávamos que um dia iríamos desenvolver um projeto juntos. Ter um laço produtivo ou criativo com quem você mora, pode ser divertido”, explica Rafael, que trabalha como designer e apresenta peças de stand-up comedy.

A dupla, ao contrário das meninas da republica niteroiense, não faz divisão de comida. Cada um faz a sua própria compra, mas na geladeira e no armário não há separação. Até agora, passados dois anos, a comunhão gastronômica não trouxe problemas para a convivência dos dois. Mas, a pasta de dente destampada já foi motivo de estresse.

“Por mais que sejam detalhes, há algumas coisas que podem incomodar. Procuramos então sempre ter cuidado para que uma pasta de dente não acabe em discussão. Ou seja, é melhor lembrar de fechá-la”, diz, aos risos, o produtor cultural Anderson Correia, que é considerado como o mais organizado.

Festinhas no quarto são permitidas, mas com o volume baixo, principalmente no meio da semana. No mais, vale o acordo de ter respeito ao espaço do outro e de manter a casa organizada, mesmo que tenham faxineira apenas de 10 em 10 dias.

“Nós somos muito parecidos, temos os mesmo amigos e isso facilita bastante a convivência, embora em alguns casos possa contar pontos contra. O que vale, é ter bom senso e jogo de cintura para manter a paz”, finaliza o produtor.

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