30/10/2008

Rodeada de afeto e sabor

Fonte: O Estado de S. Paulo

Na cozinha de Angela Rappa, dona da marca Sapori, falam alto as memórias e as receitas italianas

São Paulo – Em Jundiaí, a quem se pergunte de Angela Rappa, a reação é sempre igual: um sorriso e a lembrança de uma saborosa refeição. Não, ela não é dona de restaurante. Mas participar de um almoço em sua casa é promessa de felicidade: as bruschettas, garantem, são dos deuses.

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisSobre a mesa da sala, louça alemã e toalha de linho puro são herança da mãe de Angela Rappa

Aqueles que acreditam em destino diriam que a Sapori, empresa de alimentos criada em 1989, foi conseqüência natural na vida de Angela. Tudo começou com a alcachofra – ou as conservas feitas pelas mulheres de sobrenome Rappa, nas temporadas anuais na Itália. “Nunca me esqueci do sabor do fundo de alcachofra. Sonhava com ele quando voltava ao Brasil”, recorda-se ela. Empresária e mãe de dois filhos, Angela nasceu em Jundiaí e passou a infância entre a fazenda em Jarinu, e a região italiana da Toscana, de onde os avós saíram no século 19.

Trouxeram para cá a cultura da alcachofra e o plantio prosperou na terra boa do interior paulista. Angela saiu da fazenda quando casou, aos 21 anos. Parou de dar aulas de inglês (é formada em Letras) e assumiu o papel de mãe. Seria assim para o resto da vida, quando, em meados dos anos 80, houve colheita graúda em Jarinu, o que incentivou Angela a fazer a tal receita de alcachofra. “Chamei as mulheres da fazenda para me ajudar.”

Os amigos contam outra versão: caprichosa, ela embalava os potes com fita colorida e dava de presente. Quem cruzava com Angela, reparava nas mãos dela, escuras de lidar com a conserva. “Ah, enfeitaram a história”, responde ela, divertida.

Exagero ou não, o fato é que, inspirada pelo sucesso da receita, Angela tentou reproduzir a conserva com outros ingredientes (e não só alcachofra). Deu certo, o que fez seu cunhado agrônomo entender que era a hora de criar uma indústria de alimentos artesanais. Assim começou a Sapori, 20 anos atrás – que hoje produz molhos, alimentos desidratados e conservas, além de uma linha especialmente elaborada por Claude Troisgros.

Quando a equipe do Casa& chega ao endereço de Angela, a mesa de jantar está vestida de linho branco e rodeada de objetos que falam à memória, como os talheres de prata com o monograma da família e a cristaleira de madeira e vidro, que reúne coleção de baixelas e louças.

Da cozinha ela prefere não falar muito. “Os azulejos são velhos, os armários também. Não pude mexer nela”, lamenta. A casa é alugada e Angela aguarda ansiosa o início das obras de seu apartamento, na mesma rua. “Lá vou ter a cozinha aberta e poder conversar com as pessoas, enquanto piloto o fogão (GE de 5 bocas, modelo Tri-Chama Classical, por R$ 1.149, no Submarino).” Mesmo assim, a gourmet adianta que sentirá saudade dos vitrôs da cozinha (de 10 mm, temperado, por R$ 103,35 o m², na Divinal Vidros) de onde ela vê a cidade e o jardim nos fundos.

Talvez ela não perceba, mas sua presença é marcante na casa que não lhe pertence. Que o digam os grandes tachos de cobre para o almoço de muitos, as facas marcadas pelo uso enfileiradas no ímã (da Koppo, de 40 cm, por R$ 58, na Pepper) e os temperos que plantou em vasos de cerâmica, do lado de fora.

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