25/08/2007

Rua mantém tradição apesar da “”invasão””

Fonte: Jornal da Tarde

Chegada de comerciantes orientais alterou perfil da Florêncio, mas as ferragens ainda predominam

José Luis da Conceição/AE-02/05/07Zap o especialista em imóveisManifestação de comerciantes, na maioria orientais, na Florêncio de Abreu após blitz da polícia em maio último

A rua tradicionalmente conhecida pelo comércio especializado em ferragens e ferramentas também está virando a via dos estacionamentos particulares. A cada ano que passa, o mercado da Florêncio de Abreu tem sido mais ofuscado pela desordenada expansão do já famigerado comércio informal da vizinha 25 de Março, que utiliza a via paralela como um sustentáculo para dar conta da enorme demanda de consumidores da vasta rede de lojas populares.

Somente no quarteirão da Florêncio de Abreu que se estende entre as ruas Mauá e Washington Luís, no trecho próximo à estação da Luz,concentram-se cinco estacionamentos além daquele que atende à empresa do metrô. “Onde tiver estacionamento nesta rua, pode ter certeza que era tudo loja do setor, principalmente de maquinário pesado para indústria”, argumenta Antônio Santos, dono da AMM Parafusos (número 726), há sete anos na via.

Segundo alguns lojistas ouvidos pela reportagem, muitos imóveis são comprados por orientais, os “donos do comércio” da Rua 25 de Março. Entretanto, mais do que a perda de território para os orientais, é a concorrência direta que eles proporcionam que tem incomodado os lojistas da rua das ferramentas. “Alguns produtos que a gente vende, eles também vendem, só que sem qualidade e mais baratos porque muitos não emitem nota”, lamenta o dono da Rimafer (número 654), Raimundo Santiago, para quem a saída do problema tem sido vender para as indústrias.

O resultado disso é o número significativo de lojas que deixaram de lado o tradicional atendimento no balcão e concentram seus serviços no sistema de televendas. Como o perfil dos transeuntes também mudou bastante nos últimos anos, muitos lojistas preferiram deixar de pagar o elevado aluguel da região central da cidade, que ultrapassam os R$ 3 mil, e migraram para o comércio de bairros. “É um efeito dominó”, define Felipe Dias, sócio da Acepil (número 637), loja especializada em instrumentos de medição, válvulas e conexões.

Para o presidente da Associação de Lojistas da Florêncio de Abreu (Alfa), Mário Roberto Rizkallah, também dono da Casa da Bóia, a mais antiga da rua, ainda assim o comércio não ficou descaracterizado. “Continua sendo a rua das ferramentas e manutenção industrial. O que mudou talvez foi a demanda dos clientes, que na época de inflação compravam mais para estocar e, hoje, são mais cautelosos e compram somente o que vendem”, afirma.

Embora o foco de muitas lojas esteja voltado ao setor industrial, conta Rizkallah, a venda direta para o consumidor final representa 50% do total. “Isso porque o conceito do ‘faça-você-mesmo’ está bem difundido”, explica.

Olhando por esse ponto de vista, diz ele, a localização da rua e a movimentação que o comércio popular proporciona continuam sendo pontos a serem considerados. “Estamos na boca da estação São Bento, e muita gente que vem à 25 acaba passando por aqui. Isso também ajuda a gente.”

 

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