19/11/2008

Sacrifícios de uma vida

Fonte: Jornal da Tarde

As histórias de quem está buscando imóvel e as de quem já chegou lá e quer mais

Realizar o sonho da casa própria dá muito trabalho e preocupação. Primeiro é escolher o bairro: tem de ser perto dos pais, do trabalho, longe das enchentes, do trânsito… Mas e quando um mora na Aclimação e o outro trabalha em Guarulhos?

Depois vem a triagem da casa, ou será apartamento? Cada tempo livre é gasto para visitar dezenas de imóveis, e às vezes voltar a alguns deles, e ainda agüentar aquele corretor que faz questão de mostrar tudo, menos aquilo que você quer.

Encontrou? Bom, aí é poupar, guardar, raspar centavos. Vale pedir dinheiro para pai, cunhado e até sogra. Se mesmo assim o dinheiro não der, o jeito é ir a os bancos, pesquisar taxas e pagar por até 30 anos (360 meses!).

Para quê? Para no meio do caminho descobrir que o espaço ficou pequeno e os filhos querem morar num condomínio-clube, ou perto da faculdade. E aí….. é começar tudo de novo…

Mapas e planilhas
A jornalista Melissa Vieira, de 32 anos, e seu namorado, o engenheiro Flávio Lehmann, de 32, ainda nem “mergulharam” no financiamento de 30 anos do apartamento e já decidiram que também vão quitar a dívida antes. “Escolhemos esse prazo para a prestação ficar menor”, conta Melissa.

O casal desenvolveu uma estratégia com mapas disponíveis num site da internet (www.google.com.br) para encontrar o local perfeito. “Precisava ser perto da casa dos meus pais, na Aclimação, dos dele, em Campo Belo, e do trabalho do Flávio, em Guarulhos”, diz a jornalista, que trabalha no Jardim Paulistano.

Lançados todos os endereços no mapa eletrônico, ficavam bem no meio do caminho o Ipiranga e a Saúde. “Chegamos a ver mais de 20 imóveis, seis num só dia.”

Organizados, montaram uma planilha com endereço, corretor, contato, valor do imóvel e do condomínio, e usaram até GPS.

Quase fecharam negócio em três ocasiões. “Num deles, o donos não queriam nos dar alguns documentos e depois descobrimos que o condomínio não era de R$ 750, como disseram, mas de R$ 900. Além disso, quando fomos ver a garagem – minha mãe disse para olhar sempre os tetos – e estava cheia de infiltrações.” Desistiram e viram muita coisa antes de se decidirem por um apartamento usado na Saúde, de 120 m² e preço de R$ 310 mil. “É bem iluminado, perto de tudo, tem cozinha grande.”

Deram uma entrada e financiaram 60% do total. Escolheram um banco que ainda não havia aumentado a taxa de juros por conta da crise.

Mais espaço para a família
O bancário Magno Ivan de Santana Silva, de 37 anos, também já está fazendo contas há alguns meses. Ele e a mulher, Yvone, de 39 anos, resolveram comprar um imóvel maior. Os filhos – Marianna, 9 anos, e Ivan, de 5 – estão crescendo e os 86 metros quadrados do apartamento próprio onde moram no Mandaqui (zona norte) foi ficando pequeno. “Fechamos negócio há três meses de um apartamento de 142 metros quadrados.”

A família só deve se mudar em setembro do ano que vem, quando a obra deve estar concluída. Vai ter quase o dobro do espaço, com direito a salão de festas infantil e adulto, piscina, salão de jogos, quadra e espaço para caminhada. “Vamos ter ainda uma varanda gourmet com churrasqueira para receber os amigos.”

Não foi fácil chegar ao apartamento de R$ 400 mil e quatro dormitórios em Santana. “Acho que vimos uns 15, sem contar as casas em condomínio.”O casal paga as prestações direto à construtoras até as chaves. Depois vai ter empréstimo. “O primeiro financiamos em 15 anos, mas pagamos em seis”, afirma Silva.

O sonho de morar sozinho
O publicitário André Leoni, de 28 anos, ainda tem um bom tempo para começar a pensar nisso. Adquiriu em janeiro um apartamento de 50 metros quadrados em Interlagos (zona sul), ainda na planta, que só ficará pronto em um ano e meio. “Minha intenção é morar sozinho e depois casar um dia.”

O imóvel custa R$ 110 mil e o empreendimento conta com todos os itens de lazer. Está pagando parcelas de R$ 480 durante a construção.”Quando terminar, vão faltar R$ 90 mil. Aí vou vender o carro, juntar o FGTS e pretendo financiar só R$ 30 mil.” Mas não vai comprar outro veículo financiado, porque conta com o benefício de utilizar o da empresa e ir pagando aos patrões aos poucos podendo ficar com veículo no final.

Bom negócio por acaso
Nem foi preciso procurar muito. Bastou um folhetinho de lançamento de prédio que foi parar, por acaso, nas mãos da assistente administrativa Louise Baesso Batista, de 26 anos, para que ela decidisse comprar uma unidade de 64 metros quadrados e três dormitórios no Parque Biturussu (zona leste). “Estava procurando algo que desse para pagar e ele tinha a medida certa, com R$ 290 de parcela durante a obra, sem entrada ou intermediárias.” Ela e o marido, Erik Callejo Batista, de 27 anos, financiaram R$ 74 mil, em 20 anos, com prestações de R$ 850.

“Para a reforma, ele vendeu o carro e, quando a gente precisava passou a usar o da minha mãe”, diz a moça, empolgada com o grande negócio que fez.

Tijolo por tijolo no ABC
O analista de marketing Robson Duarte Martini, de 32 anos, e a coordenadora de eventos Cíntia Oliveira Ferreira, de 31, disseram o sim no último dia 11 de outubro com a tranqüilidade de quem tem a casa do jeitinho que sempre quiseram. Depois de ver mais de 30 imóveis, optaram por construir a moradia em parceria com um construtor amigo, na Vila Scarpelli, em Santo André.

“Compramos um terreno de 10 metros de frente, por 25 de comprimento, onde foram levantadas duas casas. A nossa e outra do construtor. Ele cuidou de todo o material básico e nós fomos atrás do acabamento”, explica Martini.

No fim, a casa costuma arrancar só elogios: linda, com 164 metros quadrados, três dormitórios, amplos cômodos e um espaço para receber os amigos como gostam. Preço final: R$ 300 mil. “Dá trabalho, mas já está valendo mais do que gastamos, com certeza.”

O casal não recorreu ao banco, apenas precisou de uma parte emprestada pelo pai de Martini. “Trabalho desde os 14 anos e me planejei para isso, e deu certo”, diz o analista de marketing.

Tudo na ponta do lápis
Foi o que fizeram a engenheira Viviane Rodrigues, de 27 anos, e o tecnólogo de processo Fabiano Maurício da Silva, de 30, por meses. Conseguiram. Estão realizados, mesmo com o imóvel totalmente vazio, assim como as reservas feitas nos últimos três anos. “Mas pagamos nosso apartamento à vista”, comemora Viviane.

Claro que houve pequenos empréstimos com os pais dos noivos, mas já estão quase quitados. “Guardamos tudo que foi possível, como abono, 13º salário e participação nos lucros e arrepiamos nas horas extras. Além disso, iam direto para a poupança todo mês 20% do meu salário e 30 a 40% do Fabiano.”

A receita deu certo, engordada pelo FGTS do casal. O apartamento de 67 metros quadrados, com uma cobertura de igual tamanho, e dois dormitórios na Vila Pires, em Santo André, comprado em junho, custou R$ 165 mil (eram R$ 170 mil, mas a dupla ainda conquistou um desconto).

Agora é começar a planejar de novo, sem pressa: uma área de lazer na cobertura, os móveis e eletrodomésticos…

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