08/05/2014

Salário mínimo não paga aluguel nem de quitinete em regiões de São Paulo

Valores estão muito acima das possibilidades das famílias

Fonte: ZAP Imóveis
Pesquisa revela que preço do aluguel está muito alto (Foto: Shutterstock)
Pesquisa revela que preço do aluguel está muito alto (Foto: Shutterstock)

Alugar uma quitinete com pouco mais de 30 m² na cidade de São Paulo custa mais que um salário mínimo por mês em várias regiões da Capital. Em fevereiro, nas Zonas A (Alto de Pinheiros, Brooklin Velho, Campo Belo, Moema, Jardim Europa) e B (Aclimação, Consolação, Vila Madalena, Vila Mariana, Vila Olímpia), nenhum apartamento desse tipo tinha aluguel inferior ao salário mínimo –  tanto o nacional de R$ 724,00 quanto o regional paulista de R$ 820,00.

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A pesquisa feita com 402 imobiliárias pelo Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) mostra que o aluguel desse tipo de imóvel na capital variava, em fevereiro, de R$ 1.200 em bairros da Zona A até R$ 935 nos bairros da Zona B. Nessa mesma zona de valor estão bairros típicos de classe média, como Paraíso e Pinheiros.

“O aluguel está estrangulando, literalmente, a renda de muitas famílias, o que fica evidente quando se considera que o rendimento médio real dos assalariados da capital era de R$ 1.854,00 em fevereiro”, afirma José Augusto Viana Neto, presidente do CRECISP.

Fonte: Creci-SP
Fonte: Creci-SP

Segundo Viana Neto, já passou da hora do governo perceber que o programa Minha Casa, Minha Vida não resolve o problema social, que demanda soluções imediatas. O presidente do Creci paulista vê como “absolutamente necessária e urgente” a implantação de um programa nacional de aluguel social.

“É preciso subsidiar, com valores realistas, o aluguel de casas e apartamentos para as famílias que estão nessa situação dramática”, enfatiza o presidente. Além disso, Viana enfatizou a necessidade de se estabelecer uma tributação especial para estimular os investimentos em locações para a baixa renda.

Aluguel pressiona renda – A pressão do aluguel sobre a renda das famílias explica porque os imóveis mais procurados são os de aluguel mais barato. Em fevereiro, segundo a pesquisa CRECISP, casas e apartamentos com aluguel mensal de até R$ 1.000 representaram 38,83% do total de imóveis alugados.

A maioria das novas locações – 29,13% do total – concentrou-se em bairros da Zona D (Aricanduva, Bela Vista, Jaguaré, Freguesia do Ó, Vila Maria), seguidos pelos das Zonas C (Saúde, Barra Funda, Butantã, Cambuci, Tatuapé) (26,76%), A (18,38%), E (13,48%) e B (12,25%). Quem alugou em fevereiro obteve descontos sobre o valor inicial do aluguel que variaram de 7,96% na Zona B a 13,13% na Zona E, onde estão os bairros mais afastados do centro e com valores de venda e locação menores que os das demais regiões.

Média de valores locados por zona (Fonte: Creci-SP)
Média de valores locados por zona (Fonte: Creci-SP)

As 402 imobiliárias que responderam à pesquisa do Creci de São Paulo alugaram 4,73% a mais que em Janeiro. Foi esse aumento de procura o responsável pela alta de 2,79% na média dos aluguéis em fevereiro comparado a janeiro. Em 2013, a locação do mês de fevereiro teve uma expansão de 26,59% na comparação com janeiro.

Os apartamentos, com 54,29% de participação no total de novas locações, dominaram o mercado em fevereiro. As casas somaram 45,71% do total. Como garantia de pagamento em caso de inadimplência dos inquilinos, os proprietários preferiram os fiadores, presentes em 41,09% dos contratos assinados nas imobiliárias pesquisadas.

Dos preços praticados em fevereiro, a locação de casas de 2 dormitórios situadas em bairros da Zona B passou de R$ 1.450 para R$ 1.945, aumentando 34,20% no período. Já o aluguel de apartamentos tipo quitinete na Zona D sofreu queda de 28,57%, passando de R$ 700,00 em janeiro para R$ 500,00 em fevereiro.

Média de valores locados por zona (Fonte: Creci-SP)
Média de valores locados por zona (Fonte: Creci-SP)

Nas imobiliárias consultadas pelo Creci, foi devolvido um número de chaves equivalente a 62,87% do total de novas locações. O número é 0,08% maior que o apurado em janeiro. A inadimplência aumentou – 5,45% dos inquilinos estavam inadimplentes em fevereiro, ou 59,36% a mais que os 3,42% do mês anterior.

O número de ações judiciais aumentou 12,98%. Pesquisa feita pelo Creci nos Fóruns da Capital constatou que foram propostas 4.509 ações em Fevereiro e 3.991 em Janeiro. As ações por falta de pagamento aumentaram 11,06%; as renovatórias tiveram expansão de 1,61%; as consignatórias subiram 15,38%; e as de rito sumário totalizaram 17,89% a mais. Só diminuíram as ações de rito ordinário – de 196 para 142, queda de 27,55%.

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