02/08/2011

Santa Teresa, no Rio de Janeiro, ganha novo polo para a decoração

Fonte: O Globo

O caminho do bondinho de Santa Teresa sempre levou a charmosos ateliês escondidos nos apartamentos e no casario antigo de um dos bairros mais encantadores da cidade. Especialmente em eventos como o Arte de Portas Abertas, que chega a sua 21 edição no próximo fim de semana, mantendo a tradição de levar o povo para … Continue lendo “Santa Teresa, no Rio de Janeiro, ganha novo polo para a decoração”

Ateliê dos ceramistas Binho Maturano e Dony Gonçalves (Fotos: Simone Marinho)
Ateliê dos ceramistas Binho Maturano e Dony Gonçalves (Fotos: Simone Marinho)

O caminho do bondinho de Santa Teresa sempre levou a charmosos ateliês escondidos nos apartamentos e no casario antigo de um dos bairros mais encantadores da cidade. Especialmente em eventos como o Arte de Portas Abertas, que chega a sua 21 edição no próximo fim de semana, mantendo a tradição de levar o povo para onde a arte está. A novidade este ano é que os turistas e cariocas que passearem pelas sinuosas ruas de Santa vão perceber um novo polo se formando para a decoração.

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Pertinho do Largo das Neves e do famoso Bar do Gomes de um lado; e dos ateliês de Carlos Vergara e Júlio Castro do outro; a confluência das ruas Aarão Reis, Áurea, Miguel de Resende e Oriente vem atraindo outros artistas e dando cara nova ao local, que já começa a ser chamado, pelos próprios profissionais, de Quartier Oriente. Com um detalhe: ali os ateliês estão bem à mostra, com direito inclusive a grandes vitrines para as ruas.

“Santa Teresa tem áreas de freguesia: no Guimarães está o artesanato, os restaurantes; no Curvelo, tem um conjunto de casas comerciais e aqui, no ramal menos badalado do bonde, há tudo para uma nova área para as artes”, defende o fotógrafo Renan Cepeda, que fala com conhecimento de causa.

Ateliê Oriente dos fotógrafos Renan Cepeda, Kitty Paranaguá e Thiago Barros
Ateliê Oriente dos fotógrafos Renan Cepeda, Kitty Paranaguá e Thiago Barros

Morador do bairro desde que nasceu e um dos únicos a ter participado de todas as edições do Arte de Portas Abertas, ele abriu ano passado o Ateliê Oriente, ao lado dos também fotógrafos Kitty Paranaguá e Thiago Barros, numa casa que já foi laboratório de cinema, padaria e mais recentemente abrigou os ensaios do bloco Céu na Terra. Depois de três anos fechado, o espaço de 72 metros quadrados agora guarda obras dos três em paredes móveis espalhadas pelo galpão, onde também fica o escritório do trio e, vez ou outra, acontecem exposições.

“É um espaço multifacetado. Trabalhamos melhor por ser um lugar mais calmo que o Guimarães, por exemplo. Mas estamos prontos para receber o público mesmo quando não houver exposições. A vitrine faz essa comunicação com a rua, e as pessoas querem saber o que tem aqui”, enfatiza Renan.

Quase um embaixador desta nova freguesia, Cepeda tenta convencer os proprietários locais a alugarem seus espaços para outros artistas (interessados não faltam) e já atraiu para lá a amiga Antonia Dias Leite, que mistura fotografia, vídeos e instalações em seu trabalho. Depois de viver 10 anos em Nova York, ela escolheu Santa Teresa para estabelecer seu ateliê. O local? Uma loja, a poucos passos do Ateliê Oriente, que costumava vender ração. Agora, o piso original de ladrilho hidráulico ajuda a dar o ar moderninho ao ambiente que ganhou tubulação aparente para a fiação elétrica, paredes brancas, um janelão com vista para as favelas e, claro, portas de vidro.

Ateliê de Antonia Dias Leite
Ateliê de Antonia Dias Leite

“Não quero ter uma galeria. Este é o meu estúdio, um local de trabalho aberto a acontecimentos artísticos, como os happenings dos anos 60. Estou aqui há um mês, mas já conheço todo mundo da rua. E foi exatamente isso que me trouxe para Santa Teresa: é uma comunidade local, mas também internacional. Aqui, tenho o mesmo tipo de convivência que tinha em Nova York”, diz a artista, que abre oficialmente o seu espaço durante o Arte de Portas Abertas.

Não muito longe dali, na Pascoal Carlos Magno, uma garagem de tijolos aparentes – que já serviu a uma pizzaria – é dividida há um ano e meio pelos ceramistas Dony Gonçalves e Binho Maturano. O primeiro, um veterano do evento; o segundo, um estreante que promete mostrar sua última série, Nonada, em que órgãos humanos e animais se misturam formando peças inusitadas. Além de receber os visitantes, os dois costumam dar aulas:

“É legal ter o ateliê sempre em movimento”, diz Binho.

O Arte de Portas Abertas vai de sexta a domingo próximos, com 80 artistas divididos em 38 ateliês e cinco centros culturais.

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